Balneário Camboriú

Canal do Marambaia problema de décadas

Lagoa do Canto da Praia, vulgo “Canal do Marambaia”.

Acompanho desde fevereiro as manifestações do “Grupo do Rio Marambaia”, decidi buscar um pouco de sua história para levar até você leitor, da forma mais esclarecida possível. Este rio esquecido por mais de 40 anos.

Conversei com João Passos, ele que tem formação em História, já atuou como diretor da Defesa Civil e atualmente está Secretário na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú.

Primeiro nós precisamos entender porque colocamos o marco de 40 anos se nossa cidade é mais antiga que isso e o rio é mal tratado há mais tempo.  Quarenta anos foi quando explodiu a construção civil em Balneário Camboriú,  o rio Marambaia não é aquele trecho aberto que a população vê,  ele nasce em torno da rua 2.450 e tem varias ramificações vindo da região da 4ª avenida,  dos  bairros Nações e Ariribá que alimentam o rio Marambaia.  Antigamente ele era um rio navegável, as pessoas pescavam, nadavam e toda região central de Balneário Camboriú, de alguma maneira, ou outra, eram influenciadas por ele, por exemplo: na Praça Almirante Tamandaré, você tinha um pontilhão para passar de um lado para o outro por que ali era uma saída de um braço do rio Marambaia para o mar. Foi fechado há  tempo atrás. Mais recentemente; no governo Piriquito,  acabou canalizando, porque em dias de chuvas poderia ver a língua preta que caia ao mar. O rio Marambaia tem uma extensão bastante grande e ele está quase que na sua totalidade preso no meio das construções; no meio de prédios em Balneário Camboriú.  Quando ele chega lá, no final, não é mais um rio, e sim, uma vala de esgoto. Temos milhares de esgotos clandestinos sendo jogados dentro do rio Marambaia.

 Por que esgoto clandestino?  Porque essa região final dele do centro de Balneário Camboriú, Bairro das Nações e Ariribá, já tem o tratamento e rede coletora de esgoto o que acontece é que a “população ao invés de ligar a sua saída de esgoto para frente de sua casa, na rede de esgoto, acabou ligando para os fundos”, em um dos canais que vão desaguar no Marambaia e isto acaba resultando em uma ofensa a esse rio, transformando-o em uma grande vala de esgoto.

Entendi! O que ocorre, é que o morador não quer fazer a obra de adequação para ligar na rede coletora e de tratamento que passa na frente de sua residência.  Porque irá gerar obras, transtornos e despesas, mais fácil é fazer o que se tem feito  nesses anos todos;  canalizar para o rio Marambaia, poluindo e acabando com o mesmo, gerando contaminação nas areias da beira mar,  trazendo esse mau cheiro por toda sua extensão, evidenciado ainda mais na região  da beira mar norte.

Tem um custo, veja, uma casa que já está instalada tem que refazer a rede, se a rede é no final do terreno vai ter que jogar para frente. Isso tem um custo, vai ter que quebrar piso, calçada e tal, e normalmente o morador não quer fazer isso, se recusa a fazer esse tipo de ação. Então temos aí um problema sério.  A prefeitura de Balneário Camboriú  já vem a algum tempo  fazendo o “SE LIGA NA REDE”,  que é justamente para identificar essas ligações clandestinas; para impedir que continuem poluindo o rio, numa seqüência  que na minha opinião e pelas conversas que tenho tido com especialistas, precisamos fazer um processo de despoluir o rio, retirar o lodo fétido que está no seu fundo, que acaba poluindo e levando essa poluição para a praia. Então, não tem jeito, precisa remover esse lodo que ali se encontra, depende também de autorizações ambientais. Há uma proposta do “Grupo do Rio Marambaia”, que defende o rio Marambaia, de que também se faça ali uma estação de tratamento de resíduos para evitar que esses resíduos vão para a praia de  Balneário Camboriú. Segundo alguns técnicos da Emasa, estou aqui falando de não os indicados políticos e sim do pessoal técnico que lá trabalha, essa não seria uma ação necessária se fizesse a despoluição do rio. Então, primeiro tenta fazer a despoluição do rio, impedir que seja continuado jogando esgoto para dentro, e se não funcionar, aí sim, se faz uma estação de tratamento. Porque gastar 9, 10 milhões, não sei ao certo o valor de uma estação dessas, para fazer uma obra paliativa, não o resultado final.   O resultado final é despoluir o rio, mesmo você jogando água limpa dentro do rio, você mesmo assim precisa limpar o rio, tirar aquela sujeira que ao longo dos anos foi se acumulando no fundo, e aquilo é poluição, é algo que não dá para ser utilizado.

Perfeito! A culpa não é da Administração Pública, e sim, do descaso e falta de respeito do próprio morador, que não quer readequar sua residência. Poluindo o rio, a praia, esta mesma que é usufruída por toda sua família.

Te pergunto, e  lá no passado qual foi o erro?  Te digo o seguinte, a culpa não é dos atuais administradores, e nem talvez dos anteriores de até 10 anos atrás. Se fossemos achar um culpado, o culpado seria a cidade de Balneário Camboriú.  Como assim a cidade de Balneário Camboriú? O município através de seu governo municipal que não fiscalizou nas décadas de 60,70,80,90 e nem de 2.000, começou fiscalizar isso recentemente há cerca de 5 anos. A culpa é do morador da época e do atual que continua jogando os seus dejetos no rio, e do restante da cidade que também não verificou e fez uma cobrança mais enfática. Se tivéssemos que enumerar os culpados:

– Primeiro, a culpa é de quem polui, de quem sabe que tem que fazer o tratamento de seu esgoto. Porque mesmo há 20,30, 40 anos atrás, você tinha que ter fossas, e as pessoas optaram pelo jeito mais barato, em vez de fazer uma fossa, jogava atrás de casa ou no riozinho que passava atrás da casa dele.

– Segundo, a culpa é do município que não fiscalizou, e na época, até da própria Casan que era responsável pela coleta de esgoto, acho que estas seriam os culpados. Agora, neste momento precisamos buscar a solução e punir de forma muito forte aqueles que não querem se adequar. Porque todo mundo já sabe que está errado, todos já foram notificados que estão errados e continuam insistindo no erro. Então, se você sabe que o teu esgoto não está indo para a REDE de TRATAMENTO e você prefere continuar poluindo; você tem um problema sério, mais até do que aquele que fez a poluição de forma “ignorante”, digo ignorante no sentido de ignorar isso tudo, de não ter conhecimento disso tudo há 30, 40 anos atrás. Agora, você conhece, você sabe o mal que a POLUIÇÃO FAZ PARA A POPULAÇÃO E PARA O MEIO AMBIENTE,  e mesmo assim você continua poluindo? Aí sim, você tem um problema sério.

Sobre o Plano Diretor não dar prioridade e manutenção de manter o Rio Marambaia aberto, quando  começou a se preocupar com isso,mais recentemente, o rio Marambaia  já estava todo tomado, por construções.  Os planos diretores e essa preocupação de riozinhos que passam dentro da cidade é uma preocupação de 15 anos pra cá, e nesses últimos 15 anos muito pouca coisa avançou para cima do rio, e essas poucas coisas, aí sim, tem um problema sério de fiscalização do município. O problema do Marambaia é muito mais antigo do que isso, ele vem da década de 70, 80 e 90 quando não se tinha esta preocupação e a cidade estava em plena expansão, o que se preocupava era construir de qualquer maneira, aterrar, aterrar. A região da 4ª avenida, só para dar um exemplo diferente do Rio Marambaia; ela foi toda aterrada, ali era uma região de banhado, a região onde está a Câmara de Vereadores atualmente, é uma região que foi toda ela aterrada, então, muitas partes de Balneário Camboriú  foi toda aterrada para dar espaço para a construção.

Na época não existia preocupação da manutenção e preservação do rio, e sim, na expansão  da construção civil?

Isso, não se preocupava com Rio Marambaia, com os outros canais todos que nós temos em Balneário Camboriú, não se preocupava com a praia, é só observar como a Av. Atlântica foi construída estreita.  As pessoas que estavam aqui queriam era um espaço para construir casas e prédios, se tinha que aterrar, aterrava sem se preocupar, por isso que temos hoje não só o problema de poluição do Rio Marambaia; mas os problemas de enchentes, alagamentos.  Não saberia te dizer exatamente o quanto, mas pelo menos 30% da cidade foi construída em cima de área alagável, que é área que quando chove, as águas procuram para poder se expandir, e nós aterramos isso e construímos em cima.

“Somos uma das cidades mais saneadas de Santa Catarina”.  Atualmente, mais de 90% da população do Município tem atendimento da rede coletora de esgoto.

 

Por- Lierge Coradini

Imagens: Isaque de Borba Corrêa

 

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