Entrevistado da semana, Nilson José de Borba, diretor da Secretaria Municipal de Pesca do município de Itajaí/SC.Pesca

Desde 2015, quando deixou de ter status de ministério, a pesca passou pela Agricultura, pelo Ministério da Indústria e Comércio e pelo Gabinete da Presidência da República.

Não decolou em nenhum dos três postos, acumulando atrasos na emissão de documentos e crises como o embargo da União Européia ao pescado brasileiro, que está prestes há completar um ano.

Empresário catarinense integra equipe de Bolsonaro. No setor pesqueiro, a nomeação de Seif foi comemorada, empossado secretário no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Ele conhece o setor e sabe das prioridades a serem enfrentadas. Mas estar sob o comando forte da Agricultura poderá ser um desafio, fazer o brasileiro comer mais pescados e trazer para mesa do brasileiro mais produtos ligados à pesca. Nossa média de consumo fica na casa de 10, 11 quilos por ano, enquanto outros países, que nem têm costa, têm maior consumo que o nosso

Esta é a quarta vez que um catarinense comanda da pesca, nos últimos anos. O primeiro foi José Fritsch, no governo Lula. Natural de Coronel Freitas, Altemir Gregolin também foi ministro da Pesca do governo Lula, entre 2006 e 2010. Ideli Salvatti, nascida em SP mas radicada em SC, comandou o setor poucos meses em 2011, durante o governo Dilma Rousseff.

Nilson José iniciou suas atividades aos 16 anos na empresa Sul Atlântico de Pesca onde passou por vários setores; como pescador atuou nas embarcações: Sul Atlântico X,Tenente  Abílio e Mar Cáspio. Desenvolveu projetos como: Saúde a Bordo, Tá na Rede e Endemar, autor do livro Histórias de Pescador; em 2011 foi coordenador da Rádio Costeira e atualmente é diretor  na Secretaria de Pesca  de Itajaí.

F.L – Itajaí, como se mostra este segmento tão importante na economia?

N.J – A pesca é sem dúvida uma das atividades extremamente importante para o nosso município que se destaca como capital nacional da pesca. Desenvolvida de forma profissional, seja artesanal/ industrial, gera renda, emprego, e se consolida como um dos principais pilares da nossa economia, os números  falam por si só; das 140.000 toneladas capturadas, 90% desembarcam em Itajaí  distribuídas entre as mais de 20 empresas espalhadas pela foz do rio Itajaí Açu. Dos mais de 50.000 empregos gerados pela atividade no estado 90% estão em  Itajaí; são  mais de 500 embarcações mês que giram em nosso porto. É aqui que estão as principais entidades representativas do setor no país, é aqui que está localizada a maior enlatadora de pescado do mundo, responsável  por mais de 3.000 empregos diretos.

F.L – Ações, controles, sustentabilidade, investimentos, cursos de qualificação e resgate a cultura, no município de Itajaí?

N.J- Por tudo que a pesca representa em nosso município, o atual governo do prefeito Volnei  Morastoni,  desenvolve políticas públicas que visam valorizar a atividade  pesqueira, tais como: Projeto Peixe nos bairros, que com o caminhão  do peixe, percorre os bairros da cidade incentivando o consumo de Pescados. Rádio Costeira, que atende mensalmente mais de 2.500 chamadas de embarcações na região Sudeste/ Sul do país. Profissional Redeiros, que em 2018 formou novos profissionais mantendo a habilidade na confecção de redes de pesca. Semana do pescador com destaque para a Festa da Tainha, que reunião em 2018 em um único dia mais de 30.000 pessoas. Saúde do pescador: cuidando do bem estar físico, mental e social de pescadores e trabalhadores da pesca com ações preventivas. Marejada, a maior Festa do Pescado do Brasil, que em seu novo formato tem sido um sucesso. Destaque para o PEMI, onde a pesca terá investimentos importantes em nosso município, e uma não menos importante, a tramitação política em todas as esferas: municipal, estadual e federal contribuindo em busca de soluções nas questões mais complexas do setor. E, a partir de 2019, atrelada à secretaria de emprego e renda, tenho certeza que teremos novas e importantes conquistas.

Para finalizar, a minha mensagem a todos que vivem e sobrevivem da atividade: Apesar de todas as mazelas e dificuldades enfrentadas nos últimos tempos, a pesca não morreu, não morrerá,  continuará sendo orgulho para toda nossa gente.

Por: Lierge Coradini

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