Oftalmologistas alertam para crescimento de problemas de visão em jovens e crianças.

Estudo da OMS mostra que uso excessivo de telas, baixa iluminação nos ambientes internos, falta de atividades ao ar livre e exposição à luz solar ajudam a aumentar a incidência da miopia. Conheça algumas recomendações sugeridas pela Associação Catarinense de Oftalmologia.

Uma cena cada vez mais comum: crianças e adolescentes com os olhos vidrados nos celulares e tablets, muitas vezes por horas a fio. Para nossos olhos, essa exposição contínua às telas causa, além do desconforto, uma fadiga visual, que pode resultar em casos cada vez mais precoces de miopia, alerta o médico oftalmologista João Artur Etz Junior, presidente da Associação Catarinense de Oftalmologia. 

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um guia no qual recomenda que crianças entre 2 e 5 anos fiquem, no máximo, de uma a  duas horas por dia diante das telas – seja celular, tablet, computador ou televisão. Para a OMS, há uma clara relação entre o aumento de casos de miopia infantil e o uso excessivo de telas digitais. “Os últimos estudos publicados a respeito mostram que se trata de uma endemia mundial. Nos próximos 30 anos cerca de 1 bilhão de pessoas terão alta miopia e poderão desenvolver degeneração macular miópica”, ressalta o médico oftalmologista.  

Essa recomendação se deve ao fato de que o número de pessoas com miopia (uma doença que costuma ser identificada ainda na infância e na adolescência) está crescendo a cada ano: a estimativa é que, em 2020, 2,6 bilhões de pessoas no mundo sejam míopes – um número bem superior ao universo de 1,8 bilhão de pessoas com presbiopia, deficiência visual que costuma se manifestar após os 40 anos. 

“É preciso limitar o uso do celular, especialmente em crianças. E mesmo adultos precisam ter alguns cuidados, como descansar três minutos em cada 20 de uso das telas, para relaxar a acomodação excessiva que é um dos mecanismos envolvidos na progressão da doença”, comenta o presidente da Associação Catarinense de Oftalmologia. Nos adultos, a alta miopia está relacionada à manifestação da doença no início dos anos escolares.

 

Os estudos mais recentes mostram que há maneiras de diminuir a progressão da doença: “o uso de um colírio pode diminuir a progressão em torno de 50% a 60% dos casos dependendo da idade, do grau e de quando se inicia o tratamento, e também a exposição à luz solar associado atividades outdoor por um período de duas horas diárias – ou seja 14 horas por semana – diminuiu a progressão da doença em 20% a 25%”, destaca o dr. João Artur.

A Associação Catarinense de Oftalmologia disponibiliza em seu site uma cartilha explicativa para orientar e esclarecer a população sobre as principais doenças que prejudicam a saúde dos olhos. O material está disponível neste link: https://bit.ly/2BCp0Xt

“É importante lembrar que a miopia vai piorando com a idade, obrigando os pacientes a fazer um acompanhamento regular de seu grau de deficiência e trocar óculos e lentes de contato. Quem tem deficiência visual superior a 5 graus começa a ter um risco maior de outros problemas, como glaucoma e descolamento de retina, o que pode significar a perda definitiva da visão”, reforça o médico.

Atividades físicas e cuidados à noite 

Como forma de retardar a progressão da doença, a recomendação é estimular crianças e adolescentes a fazer atividades outdoor (duas horas por dia), deixando um pouco de lado as telas digitais para relaxar os músculos oculares e ter uma exposição à luminosidade (luz solar) – um estudo recente mostrou que crianças que fizeram 14 horas semanais de atividades outdoor diminuíram a progressão da miopia em até 25%. 

“Os pais devem ter um cuidado especial com o uso dos celulares, tablets e computadores, sempre quando usar ter uma boa luminosidade, de preferência nunca usar no escuro. Hoje existem políticas de governo para modificar em escolas a exposição à luminosidade aumentando as atividades escolares outdoor, para ajudar evitar a progressão da doença”, ressalta o presidente da entidade. Para ele, as campanhas de educação em saúde ocular deverão focar primordialmente em mudanças ambientais e comportamentais.


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