Balneário Camboriú

Estudo aponta que arribadas de briozoários são processos naturais

Estudo desenvolvido por professores da Univali investigou por 12 meses a natureza e as causas das arribadas que depositam briozoários e algas nas areias da Praia Central de Balneário Camboriú. Uma das conclusões do estudo é de que as arribadas são fenômenos naturais, já registrados por fotos antigas em 1938 e 1978, e que o crescimento na frequência de casos está associado ao desenvolvimento da cidade e aumento da quantidade de matéria orgânica depositada na baía pelos rios Camboriú e Marambaia.

“Mesmo com o saneamento em Balneário Camboriú próximo a 100%, outros tipos de matéria orgânica são levadas pelos rios, notadamente o Rio Camboriú, e, com as características da enseada, somada a existência desse sistema de formação de arribadas, temos o fenômeno que é natural, segundo aponta o estudo”, explica a Secretária de Meio Ambiente, Maria Heloísa Lenzi.

De acordo com o estudo, as arribadas são compostas principalmente por duas microalgas que formam cadeias com estrutura resistente. Essas estruturas formam um emaranhado que permite o desenvolvimento de outros organismos chamados de acompanhantes, sendo os briozoários um deles. Essas microalgas crescem com o estímulo do excesso de nutrientes, intensidade da luz, temperatura e o sistema de circulação da água da enseada.

As microalgas que dominam todo o processo pertencem a um grupo de algas chamadas diatomáceas da zona de arrebentação. Crescem e se acumulam atrás da linha onde as ondas quebram. Ao formarem uma pequena biomassa passam a hospedar os organismos acompanhantes, briozoários e macroalgas. O substrato produzido gera um grande volume dado o crescimento de todas as espécies. Com o aumento da altura das ondas, essa massa de organismos é suspensa e jogada para a praia. Os ventos e as correntes de retorno deslocam esse material para pontos diversos da orla, aponta o estudo.

O estudo descarta as hipóteses de que as arribadas sejam causadas pela Draga que opera no Rio Itajaí ou que os navios de turismo aumentem o problema. As amostragens no local de atracação não identificaram a presença dos organismos que causam as arribadas. Os navios ancoram na Barra Sul desde 2017. Na linha do tempo, indícios de arribadas são de antes desta data.

Já o Rio Marambaia, que deságua na Barra Norte da enseada, mostrou presença dos organismos, mas o rio não é um local que possa concentrar a alta quantidade da biomassa que forma as arribadas. Pesquisa dos organismos no rio tiveram como resultado a falta de capacidade de crescimento. Na conclusão do estudo, os organismos observados no rio foram levados para o seu interior pela ação da maré.

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