Santa Catarina

Laboratório de Joinville pode fazer testes da Covid-19

O laboratório municipal de Joinville deve ser incorporado à rede que atualmente processa os testes de detecção da Covid-19 e atender a toda a região Nordeste do Estado. O objetivo é acelerar os diagnósticos e agilizar as ações de combate à pandemia, diminuindo a pressão sobre o Laboratório Central (Lacen), hoje o principal responsável pelos exames. O primeiro passo em direção a um acordo que permita descentralizar os testes foi dado nesta segunda-feira (17), numa audiência pública da Comissão Especial da Assembleia Legislativa que abordou os gastos do governo do Estado na região na luta contra o coronavírus.

O acerto começou a se desenhar quando o prefeito de Joinville, Udo Dohler, comprometeu-se a conseguir os insumos necessários à realização dos testes. “Nós colocamos nosso laboratório à disposição da região Nordeste. Se o problema for insumo, nós assumimos o compromisso de buscar esses insumos”, garantiu o prefeito. A dificuldade de obtenção destes insumos tinha sido a justificativa do secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, para a não habilitação de outros laboratórios pela secretaria. “Ficamos felizes quando o senhor se compromete a conseguir os insumos, vamos evoluir (essa conversa)”, disse Ribeiro.

Além de Dohler, o prefeito de Corupá, João Carlos Gottardi, e a deputada Luciane Carminatti (PT) também cobraram descentralização dos testes.

Nesta que foi a segunda audiência pública macrorregional desta segunda-feira, o secretário da Saúde apresentou números, ações e estatísticas para esclarecer a situação da Covid-19 no Nordeste e Planalto Norte catarinense. No mapa de risco do governo, o Planalto Norte está em situação grave, enquanto no Nordeste é gravíssimo. O total investido nas duas regiões até agora alcançou, segundo números da secretaria, R$ 212,2 milhões.

Leitos de UTI
Um dado sempre cobrado nas audiências da comissão – o número e a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) – foi abordado pelo secretário. Ele destacou a importância de ativar todos os leitos disponíveis para diminuir a taxa de ocupação, que hoje está em 94,84% no Nordeste e 85,14% no Planalto Norte.

“Com a ativação de todos os leitos previstos, a taxa cai para 84,97% no Nordeste e 82,89% no Planalto Norte”, revelou o secretário. As duas regiões têm, juntas, 240 leitos de UTI adulto, 24 para pediatria e 45 de UTI neonatal.

O prefeito de São Bento do Sul, Magno Bollmann, levantou uma questão que vem preocupando os administradores municipais: o repasse de recursos para clínicas particulares que fazem hemodiálise. A deputada Luciane Carminatti cobrou do secretário a sanção, pelo governador Carlos Moisés, do PL 239/2020, que vai facilitar esse repasse. Ribeiro comprometeu-se a acelerar esse processo.

O também prefeito Julio Cesar Ronconi, de Rio Negrinho, propôs centralizar o tratamento de Covid-19 do Planalto Norte, para evitar contaminações nas unidades de saúde. “É problema porque mistura. Campo Alegre, São Bento do Sul e Rio Negrinho têm hospitais que poderiam assumir isso”, sugeriu.

Perspectivas
A deputada Ada de Luca (MDB) classificou de preocupante o cenário no Norte/Nordeste. “Esta reunião trata da situação mais grave das três de hoje”, avaliou a parlamentar, que questionou o secretário sobre as perspectivas para as próximas semanas na região. Segundo André Ribeiro, “a perspectiva é de aceleração da transmissão, mas se percebe que o número de contaminados está diminuindo”. Ada de Luca disse ter percebido que os dados e informações estão mais claros desde que começaram as audiências públicas da comissão. “Isso reverte em benefícios aos catarinenses”, disse a deputada.

Gestão compartilhada
Luciane Carminatti revelou ter ingressado com ação no Ministério Público Federal para exigir que o governo federal faça compras centralizadas. “O país precisa de gestão compartilhada”, afirmou.

Carminatti também defendeu a execução de campanhas educativas para conscientizar a população da importância dos cuidados com a pandemia. “Atitude não se muda só por lei. Campanhas educativas são necessárias.”

Escassez de medicamentos
O diretor executivo da Associação de Hospitais de Santa Catarina, Adriano Carlos Ribeiro, revelou que as unidades estão com problema de falta de medicamentos. “A entrega não está sendo suficiente e temos problemas na compra”, revelou. Ele também pressionou o secretário a acelerar a sanção dos PLs 219, 239 e 240, que, segundo ele, vão ajudar no repasse aos hospitais.

A secretária de Saúde de Araquari, Maclóvia Fontoura, reforçou o discurso de que há problemas com medicamentos. Segundo ela, os hospitais que recebem pacientes começam a cobrar que as prefeituras enviem, junto com eles, os remédios necessários ao tratamento.

O secretário André Motta Ribeiro disse se preocupar porque, segundo ele, a “falta de medicamentos é problema mundial, mas quando apenas o Estado é demandado para resolver, fica complicado. O problema é de todos e todos precisam ajudar.”

Ribeiro fez críticas à condução dos trabalhos pelo governo federal. “Tem que cobrar posicionamento do Ministério da Saúde, que deveria ser o fomentador das ações. O que a gente não pode admitir é a perda de vidas por falta de prestação de serviços ou por serviços desqualificados.”

Ministério Público
O promotor de Justiça Alexandre Estefani cobrou do Estado coordenação política e diálogo no combate ao coronavírus, mas disse ter observado avanço no número de leitos. “O MP reconhece isso.”

Estefani disse gostar da ideia de campanhas educativas. “O Ministério Público é parceiro para todas as medidas que se fizerem necessárias.”

Assembleia faz sua parte
O presidente da Comissão Especial de acompanhamento dos gastos com a pandemia, deputado Marcos Vieira (PSDB), gostou do resultado da audiência e fez elogios ao parlamento catarinense. “A Assembleia Legislativa cumpre sua parte, aproxima o governo das prefeituras e das secretarias municipais de Saúde, associações hospitalares e imprensa”, analisou Vieira. “A Assembleia é a instituição que tem feito essa parte propositiva no enfrentamento deste problema que é a Covid-19”, finalizou o parlamentar.

Marcelo Santos / AGÊNCIA AL

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