A constante denúncia da nova esquerda humanista nos últimos 40 anos sempre foi que os dispositivos de controle social se intensificaram na modernidade, decretando, principalmente após os grandes conflitos do século XX, com ares de conspiração mundial, a existência de um Estado de exceção permanente na civilização ocidental.

Com este argumento, a nova esquerda provocou a insubordinação de todos os setores da sociedade e, através deste raciocínio simplista e irresponsável, a nova esquerda incitou que alunos desrespeitassem seus professores, filhos não mais seguissem os conselhos dos mais velhos, sempre colocando a tradição como algo a ser jogado na lata do lixo, usando o politicamente correto como dispositivo de controle da linguagem, causando constrangimento e acusando a todos de homofobia, racismos etc.

Inclusive foi através da fundamentação teórica fornecida por Giorgio Agamben que muitos “intelectuais” brasileiros até hoje defendem a existência de um golpe de Estado contra o governo do corrupto PT. Todavia, no inicio desta pandemia Agamben escreve em um artigo, publicado pelo IHU Unisinos que foi traduzido por Luisa Rabolini:

“Diante das frenéticas, irracionais e totalmente imotivadas medidas de emergência para uma suposta epidemia devida ao vírus corona, é necessário começar pela  declaração oficial do Consiglio Nazionale de lle Ricerche – CNS, segundo a qual “não há epidemia de Sars-CoV2 na Itália”. No entanto, “a infecção, pelos dados epidemiológicos hoje disponíveis sobre dezenas de milhares de casos, causa sintomas leves/moderados (um tipo de gripe) em 80-90% dos casos. Em 10-15%, pode se desenvolver uma pneumonia, cujo decurso é benigno na maioria absoluta. Estima-se que apenas 4% dos pacientes necessitem de hospitalização em terapia intensiva.” Se essa é a situação real, porque a mídia e as autoridades estão se empenhando a espalhar um clima de pânico, provocando um verdadeiro e próprio estado de exceção, com sérias limitações das movimentações e suspensão do funcionamento normal das condições de vida e de trabalho em regiões inteiras? (…) A desproporção em relação ao que, segundo o CNR, é uma normal gripe, não muito diferente daquelas recorrentes todos os anos, salta aos olhos. Parece quase que, esgotado o terrorismo como causa de medidas de exceção, a invenção de uma epidemia possa oferecer o pretexto ideal para ampliá-las além de todo limite. O outro fator, não menos preocupante, é o estado de medo que nos últimos anos foi evidentemente se difundindo nas consciências dos indivíduos e que se traduz em uma verdadeira necessidade de estados de pânico coletivo, para o qual a epidemia mais uma vez oferece o pretexto ideal. Assim, em um perverso círculo vicioso, a limitação da liberdade imposta pelos governos é aceita em nome de um desejo de segurança que foi induzido pelos próprios governos que agora intervêm para satisfazê-lo.

                Mas, então porque a nova esquerda ficou tão irritada e surpresa com o pensador italiano? Agamben está apenas sendo coerente com o seu pensamento. Por que este pensar não é aceitável? A esquerda que já tinha falido politicamente na América do Sul, agora está falida intelectualmente e sem pai. Pois sua defesa incontestável na luta pela ausência de controle social do comportamento humano ou colocou ao lado do piores inimigos: Jair Bolsonaro e Donald Trump.

Esta pandemia foi capaz de colocar tudo a nú, principalmente a má-fé dos intelectuais, onde suas teorias humanistas de defesa incondicional de total liberdade individual em tempos de saúde pública, somente servem quando os mesmos quando estão sentados em sua sacada com vista para o mar, seja do Leblon e/ou de Florianópolis. Mas pedem punição e restrição das liberdades individuais quando sua teoria humanizadora não se adequa ao real ou exige silêncio de seu filósofo preterido que resolve ser coerente consigo mesmo sendo  incapaz de expor o mau-caratismo e a má-fé que a nova esquerda sempre esteve imersa.

Prof. Dr. Wellington Lima Amorim

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