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“Precisamos romper tabus e discutir abertamente o suicídio”, afirma psicóloga do PJSC

A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. É a segunda principal causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito. No Brasil, dados do Mapa da Violência, organizado pelo Ministério da Saúde, mostram que, em uma década, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%.

Por isso, segundo especialistas, é necessário romper o tabu e falar sobre o assunto. Países que investiram em campanhas e mecanismos de educação e prevenção apresentaram redução nos índices de suicídio. Mas falar como? Quais estratégias utilizar, quais caminhos seguir?

Diante deste contexto e atentos a essas questões, a Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (Ceij) e a Diretoria de Saúde, em parceria com o Núcleo de Comunicação Institucional, produziram matérias e entrevistas sobre o tema, que serão publicadas ao longo deste mês na página do PJSC. A iniciativa faz parte da campanha Setembro Amarelo, idealizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria e pelo Conselho Federal de Medicina.

A entrevista a seguir, que inaugura a série sobre o tema, foi feita com a psicóloga Erika Medeiros Braz, da Seção de Atenção Integral à Saúde, da Diretoria de Saúde do PJSC. Erika é formada em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), tem pós-graduação em Psicologia Transpessoal e Psicodrama. Ingressou no Tribunal de Justiça em 2009.

Por que é importante falar sobre o suicídio?

Erika: A primeira medida preventiva que deve ser adotada, sempre, é a educação. Por isso é importante falar, debater, discutir, porque traz à consciência um assunto sobre o qual muitos evitam até mesmo pensar. Um dos medos que permeiam o tema é o de que, ao falar sobre ele, o número de suicídios aumente. Desta forma, muitas pessoas que pensam em tirar a própria vida não encontram com quem conversar. O diálogo franco sobre suicídio pode, ao contrário, fornecer opções a quem não vê alternativas, além de auxiliar no alívio da angústia e da tensão oriundas desses pensamentos.

A questão é como falar…

Erika: Isso. Não falar sobre suicídio não fará com que ele não exista, mas falar da maneira certa pode fazer com que sua incidência diminua. Quando a divulgação de informações voltadas à prevenção é adequada, tem-se o chamado “efeito Papageno”, que provoca a diminuição do comportamento suicida. Muito mais efetiva do que o silêncio é a informação divulgada de maneira sensível, humanizada e acolhedora. É preciso destacar que a adoção de estratégias de enfrentamento positivas diante do público, com acesso amplo à mídia, é fundamental para a ocorrência desse fenômeno.

Efeito Papageno?

Erika: Papageno é o nome de um personagem da ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart. Ele decide tirar a própria vida mas, ao falar sobre sua intenção, é convencido por três amigos a abandonar a ideia e buscar alternativas e novas possibilidades. Ou seja, o diálogo oportuniza a transformação do mundo interno, a ampliação dos horizontes e a quebra de preconceitos. É também através da comunicação, seja ela oral ou escrita, que encontramos modelos de superação. Pessoas que passaram por situações semelhantes à que estamos vivendo e que conseguiram transpor as adversidades. A história do outro pode servir de inspiração para a adoção de novas estratégias de enfrentamento. É preciso romper o tabu e falar abertamente sobre o tema.

Imagem: Divulgação/Assessoria de Artes Visuais NCI

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