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Agrotóxico mais usado no Brasil é associado a câncer linfático, tema de seminário no MPSC nos dias 25 e 26 de março

Em Santa Catarina, o glifosato também é muito usado na produção de cerais e diversos outros alimentos, invariavelmente sob o argumento de que é seguro.

A decisão unânime do Tribunal do Júri de San Francisco, nos Estados Unidos, que na terça-feira (19/3) entendeu pela conexão entre o agrotóxico glifosato, o mais aplicado nas lavouras do Brasil (cerca de 60% do total comercializado), e o linfoma não Hodgkin (LNH) de um agricultor da Califórnia corrobora entendimento há tempo difundido no meio-científico a respeito dos efeitos nocivos desses ingrediente tóxicos na saúde humana, nos animais e em toda a biodiversidade.

Em Santa Catarina, o glifosato também muito usado na produção de cerais e diversos outros alimentos, invariavelmente sob o argumento de que é seguro. O ingrediente ativo é uma das 430 moléculas pesquisadas nas análises do monitoramento de vegetais e de água contratadas pelo Ministério Público de Santa Catarina, por intermédio do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO), com o apoio da CIDASC e das agências reguladoras ARIS e a ARESC.

De acordo com notícias veiculadas nos canais G1 e UOL, o fabricante do principal agrotóxico à base de glifosato (atualmente a Bayer, antes Monsanto) também terá que se defender da acusação de influenciar cientistas, agências reguladoras e a opinião pública sobre a segurança do produto.

Há pelo menos 10 anos o tema tem estado em debates acalorados e muitas vezes com acusações infundadas contra pesquisadores independentes, como a precursora investigação científica do Prof. Dr. Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, que é um dos países que proibiu o comércio de produtos à base de glifosato. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, contrariando todas as evidências, decidiu por manter o agrotóxico sem qualquer restrição de comércio e uso.

Além de ter criado um programa específico para tratar do uso indiscriminado de agrotóxicos em Santa Catarina, sempre em parceira com diversas organizações públicas e respaldo das Promotorias de Justiça, o MPSC também obteve recursos do Fundo para a Reconstituição de Bens Lesados (FRBL) com a finalidade de monitorar alimentos produzidos e comercializados no Estado. São cerca de 1.200 amostras/ano de vegetais, água, e produtos de origem animal.

Nos próximos dias 25 e 26 de março, o CCO, em conjunto com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF) e Centro de Apoio do Meio Ambiente (CME), realizará o Seminário sobre Agrotóxicos nos Alimentos, na Água e na Saúde, com a presença da médica pediatra Sílvia Brandalise, que conduz o Centro Boldrini, em Campinas (SP), reconhecido pelos resultados no aumento dos índices de cura da leucemia infantil.

Ela virá a Florianópolis para falar justamente sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde humana, compartilhando painel ao lado do também Dr. Jackson Rogerio Barbosa (UFMT) e do Dr. Pablo Moritz (UFSC/CIAT-SC), ambos trazendo novos relatos da contaminação humana por ingredientes extremamente tóxicos.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC.

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