Economia

FMI não vê recessão mundial a curto prazo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não vê uma recessão global “a curto prazo”, embora o crescimento global continue a desacelerar, devido a tensões comerciais e condições financeiras menos favoráveis, indicou nesta terça-feira sua diretora-gerente.

“Na verdade, esperamos uma recuperação do crescimento no segundo semestre de 2019 e em 2020”, disse Christine Lagarde.

“Mas que fique claro: a recuperação esperada (…) no final deste ano é frágil”, disse ela em discurso na Câmara de Comércio americana em Washington, antes das reuniões da primavera (europeia) do FMI e do Banco Mundial.

Há dois anos, a instituição observou que 75% da economia global estava recuperando o crescimento. “Para este ano, esperamos que 70% (…) experimentem uma desaceleração”, explicou.

O FMI, que deve divulgar em 9 de abril sua nova previsão para a economia global, alerta há mais de um ano contra a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China com implicações para o crescimento global.

Como resultado, a instituição reduziu suas projeções de crescimento global em janeiro, prevendo 3,5% para este ano, depois de já ter revisado as projeções no outono.

– “Delicado” –

A economia global, que foi amplamente alimentada pelo comércio após a crise financeira de 2008, está “em um momento delicado”, disse a chefe do FMI.

“Um ano atrás, eu disse: ‘o sol brilha, consertem o telhado’. Seis meses atrás, apontei para as nuvens no horizonte. Hoje, o tempo está cada vez mais instável”, declarou, valendo-se de uma metáfora.

De fato, o crescimento global, que parecia dinâmico e sincronizado no outono de 2017, tem patinado desde a guerra comercial entre as duas maiores potências mundiais que se materializou no ano passado com impostos aduaneiros punitivos recíprocos em centenas de bilhões de dólares em mercadorias.

Apesar das rodadas de negociações, esse conflito cria um clima de incerteza, causando turbulência nos mercados e corroendo a confiança dos investidores.

No entanto, Christine Lagarde elogiou nesta terça-feira a pausa nos aumentos de juros observada pelo Banco Central americano (Fed).

Ela observa que a economia global também poderia se beneficiar das medidas anunciadas pelas autoridades chinesas para estimular a expansão de sua economia, que registrou em 2018 a menor taxa de crescimento (6,6%) em 28 anos.

Observa, no entanto, que a situação continua a ser muito delicada, especialmente devido aos riscos políticos, como as dificuldades do Reino Unido em deixar a União Europeia de uma forma organizada (Brexit) ou a elevada dívida de muitos países.

“Na verdade, é um momento delicado que precisa ser gerenciado com cautela. O que significa que não devemos apenas evitar erros políticos, mas devemos nos certificar de que tomamos as decisões certas”, recomendou.

Observando que “muitas economias não são suficientemente resilientes”, ela reiterou a necessidade de se preparar para a próxima recessão, erguendo barreiras de proteção e adotando as reformas necessárias enquanto a economia ainda está relativamente bem.

Na frente comercial, ela mais uma vez pediu a remoção de barreiras alfandegárias.

Com base em uma análise feita por economistas do FMI sobre a situação de 180 países nas últimas seis décadas, Christine Lagarde observou que “a integração comercial claramente impulsionou o investimento”.

“Por outro lado, as barreiras tarifárias degradam significativamente o investimento e o emprego”, concluiu.

Foto: Lagarde discursa na Câmara de Comércio americana, em Washington

Dt/vog/elm/mr

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