Mounjaro exige treino de força e dieta para evitar efeito sanfona, alerta especialista
O uso da tirzepatida no tratamento da obesidade exige planejamento focado na preservação da massa muscular; sem musculação e aporte correto de proteínas, o paciente corre o risco de sofrer com flacidez e reganho de peso.
O avanço dos medicamentos voltados ao tratamento da obesidade tem transformado profundamente a forma como a sociedade encara o processo de emagrecimento. Entre as opções mais modernas, o Mounjaro (tirzepatida) vem ganhando enorme destaque no Brasil devido aos seus resultados expressivos na redução de medidas. No entanto, médicos e especialistas alertam que a medicação não deve ser vista como uma solução isolada.
Em suma, o sucesso do tratamento a longo prazo depende diretamente da adoção de hábitos saudáveis e do acompanhamento profissional contínuo. Como consequência do mecanismo de ação da droga, ocorre uma redução drástica do apetite e o aumento da saciedade. Além disso, o diferencial da tirzepatida é atuar de forma simultânea sobre dois hormônios intestinais naturais: o GLP-1 e o GIP, otimizando o controle do cérebro sobre a fome.
O Perigo do Catabolismo: A diminuição acentuada do apetite pode fazer com que o paciente passe longos períodos sem comer ou reduza o consumo de proteínas. Sem orientação, o organismo entra em catabolismo, utilizando a própria massa muscular como fonte de energia, o que desacelera o metabolismo e destrói os resultados futuros.
O papel do acompanhamento nutricional no tratamento com tirzepatida
Desse modo, o suporte de um nutricionista torna-se peça-chave para garantir que a perda de peso na balança não ocorra às custas dos músculos. Vale destacar que a perda de tecido muscular favorece a flacidez, diminui o gasto energético diário e eleva drasticamente o risco do chamado efeito sanfona (reganho de peso) após a interrupção do remédio.
De acordo com a nutricionista Paloma Souza, da rede de academias UFit, a estratégia alimentar para quem utiliza o medicamento deve priorizar:
- Fontes proteicas de fácil digestão: Ovos, peixes, frango, iogurte natural e queijos magros (com uso de suplementos se necessário);
- Carboidratos de alta qualidade: Ajustados sem exclusões radicais, priorizando frutas, tubérculos, legumes e grãos integrais para manter a energia nos treinos;
- Fracionamento das refeições: Comer porções menores ao longo do dia para evitar náuseas e desconfortos, já que o remédio retarda o esvaziamento do estômago;
- Alto consumo de fibras e hidratação rigorosa: Essenciais para combater efeitos colaterais comuns, como a constipação intestinal.
Musculação é aliada indispensável para manter o metabolismo ativo
Além disso, a prática regular de exercícios físicos de força, especialmente a musculação, é apontada como a ferramenta mais eficaz para sinalizar ao corpo que os músculos são necessários e não devem ser eliminados no déficit calórico.
“A musculação envia ao organismo a mensagem de que aquela massa muscular precisa ser preservada. Dessa forma, o exercício contribui para manter o metabolismo ativo e diminui significativamente o risco de recuperar o peso perdido”, explica a nutricionista.
Portanto, o período de tratamento com o Mounjaro deve ser encarado como uma janela de oportunidade para a reeducação de estilo de vida. Por fim, quando há a união de tecnologia médica, dieta equilibrada e treinos de força, os resultados deixam de ser temporários e se transformam em saúde e longevidade sustentável.