Rangel considera “realista” meta acima dos 3%, mas 5% do PIB para Defesa é “demasiado ambicioso”

Paulo Rangel reage a exigência americana para aliados traçarem plano “realista” e alcançarem meta de 5% de despesa militar

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel afirmou esta quarta-feira que a meta de 5% do PIB para despesas com a defesa, sugerida pelos Estados Unidos é “demasiado ambiciosa”. Rangel assume que é consensual, entre os membros da NATO, o aumento dos gastos da defesa, acima dos 2%, admitindo a meta possa vir a ser fixada “entre os 3% e os 3,5% na cimeira da Aliança Atlântica marcada para junho, em Haia”.

Rangel reagia às afirmações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à entrada para a reunião, onde exigiu um compromisso dos aliados “para cumprirem as obrigações que o tratado impõe a cada um dos Estados-membros”.

“Cada um dos membros que se comprometerem e cumprirem a promessa de atingir até 5% de despesa, incluindo os Estados Unidos, terá de aumentar a sua percentagem”, tinha afirmado Marco Rubio, frisando que “ninguém espera que isto se consiga fazer num ano ou dois”. 

“Mas o caminho tem de ser real”, exigiu Marco Rubio, sublinhando que “esta é uma dura realidade, mas é uma realidade básica que precisa de ser dita agora, para que possamos construir o tipo de NATO com capacidade para defender os territórios dos nossos Estados-membros e dissuadir qualquer ação que possa ser agressiva contra qualquer um de nós”.

Porém, segundo Paulo Rangel, dentro da sala e na presença dos outros ministros, Rubio foi mais contido e não insistiu em números concretos sobre o aumento da despesa militar, ao contrário do que chegou a mencionar à entrada.

“Dentro da reunião não se falou de 5%. Esse número, aliás, está a ser discutido por países como a Polónia ou a Lituânia, mas o mais provável é que se fique por uma meta intermédia, entre os 3 e os 3,5%”, afirmou Paulo Rangel, frisando que aumentos tão expressivos “não se fazem de um dia para o outro”.

Rangel revelou que a reunião serviu especialmente para Marco Rubio afirma o compromisso dos EUA com a NATO. À entrada para a reunião, Rubio tinha defendido a posição de Donald Trump, garantindo que “ele não é contra a NATO”. 

“Ele é contra uma NATO que não tem as capacidades de que necessita para cumprir as obrigações que o tratado impõe a cada um dos Estados-membros”, tinha garantido Marco Rubio, a propósito do posicionamento de Donald Trump em relação à Aliança Atlântica.

Portugal ainda a caminho dos 2%

Questionado sobre o compromisso nacional com a meta dos 2% definida na cimeira de Gales em 2014, Rangel reiterou que Portugal está empenhado em cumprir esse objetivo que aponta para 2029.

“Atingir os 2% é uma causa nacional, e deve ser preparada num espírito de diálogo com os partidos da oposição. O próximo Governo terá de assumir esse compromisso de forma clara”, afirmou. O ministro garantiu ainda que o executivo atual, apesar de estar em gestão, está a preparar tecnicamente todas as decisões necessárias, inclusive as ligadas à cimeira da Haia, que acontecerá em Junho.

Tarifas

Numa outra área, Paulo Rangel criticou duramente a nova política comercial norte-americana, nomeadamente a imposição de tarifas adicionais a produtos europeus, considerando que estas medidas são “altamente censuráveis” e “violarão regras da OMC”, além de causarem prejuízos económicos globais.

“É um jogo de perder-perder”, declarou Rangel, acrescentando que a União Europeia terá de responder de forma “inteligente” e coordenada, através da Comissão Europeia.

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