Santa Catarina investe R$ 94 milhões na modernização das barragens do Vale do Itajaí
As barragens de contenção de cheias são pilares estratégicos para a segurança das populações que vivem em áreas sujeitas a inundações. No Vale do Itajaí, região historicamente afetada por enchentes de grande magnitude, essas estruturas têm papel decisivo na redução dos impactos causados por eventos climáticos extremos.
Para fortalecer essa proteção, o Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC/SC), está investindo R$ 94,7 milhões na reforma, modernização e automação do sistema de contenção do estado.
Como funciona o sistema de contenção de cheias de SC?
Diferente das estruturas voltadas para geração de energia ou abastecimento público, as barragens de contenção operam de forma preventiva. Em condições normais, os reservatórios permanecem vazios. Quando há risco de inundação, as comportas são fechadas progressivamente para reter o pico da cheia.
Ao todo, o sistema catarinense tem capacidade para reter cerca de 535 milhões de metros cúbicos de água, distribuídos em três estruturas principais localizadas no Alto Vale do Itajaí:
- Barragem Sul (Ituporanga): Retém o rio Itajaí do Sul. Protege diretamente os municípios de Ituporanga, Aurora, Rio do Sul e Lontras.
- Barragem Oeste (Taió): Atua no controle do Alto Vale, tendo como pontos de referência Rio do Sul, Taió e Rio do Oeste.
- Barragem Norte (José Boiteux): Protege o Médio e Baixo Vale, utilizando Blumenau como ponto de controle para a operação das comportas.
Em 2017, as barragens Sul e Oeste passaram por uma ampliação que elevou suas estruturas em dois metros, aumentando a capacidade de retenção em 20%. “Isso ampliou significativamente nossa capacidade de gerenciar as cheias na região”, destaca Frederico Rudorff, gerente de monitoramento e alerta da SDC/SC.
“Essas estruturas estavam há décadas sem manutenção. Nós investimos, automatizamos e agora teremos as barragens operando de verdade. Estamos indo além: há novas licitações, a limpeza dos rios segue acelerada e a estrutura da Defesa Civil praticamente dobrou. Aprendemos com o passado para proteger nossa população”, afirmou o governador Jorginho Mello.
Raio-X das Estruturas: Tecnologia, Investimentos e Prazos
A grande virada na segurança do Vale do Itajaí está na modernização tecnológica. O plano estadual prevê que toda a gestão das comportas seja realizada à distância, diretamente da sede da Defesa Civil em Florianópolis, eliminando a necessidade de deslocar equipes sob condições de tempo severo.
1. Barragem Sul (Ituporanga) — Concluída
A Barragem Sul foi a primeira a concluir o processo de modernização em outubro de 2025. Com um investimento de R$ 23,47 milhões, a estrutura de 43,5 metros de altura e capacidade para 110 milhões de m³ recebeu:
- Substituição completa das cinco comportas;
- Recuperação dos equipamentos hidromecânicos e das galerias de concreto;
- Sistema de automação com acionamento remoto hidráulico;
- Geradores e atuadores de backup para casos de falta de energia.
2. Barragem Oeste (Taió) — Em Licitação
Em operação desde 1973 sobre o rio Itajaí do Oeste, esta é a estrutura mais antiga do sistema, com capacidade para 100 milhões de m³. Ela possui uma particularidade operacional única: entre os meses de agosto e maio do ano seguinte — período de plantio e colheita do arroz —, o manejo das comportas é calculado minuciosamente para proteger as lavouras arrozeiras da região.
- Próximas intervenções: Está em andamento a licitação de R$ 61,32 milhões para recuperação estrutural da barragem e do vertedouro, troca das sete comportas e automação remota. Uma melhoria no sistema de drenagem interna já foi executada ao custo de R$ 447,5 mil.
3. Barragem Norte (José Boiteux) — Ordem de Serviço Assinada
Localizada sobre o rio Hercílio, a Barragem Norte é o maior escudo do sistema, com capacidade massiva de 325 milhões de metros cúbicos. O Governo do Estado assina nesta segunda-feira a ordem de serviço para sua reforma completa, orçada em R$ 9,9 milhões (parceria entre Estado e Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional). Para acelerar os trabalhos, o Estado iniciará as obras com caixa próprio, com prazo de execução de 12 meses.
- Compromisso Social e Diálogo Indígena: Paralelamente às obras de engenharia, o governo está investindo R$ 4,29 milhões na construção de 46 moradias, duas igrejas e duas casas pastorais para as comunidades indígenas impactadas na região de José Boiteux, Vítor Meireles e Itaiópolis. Outras 45 novas moradias já foram autorizadas recentemente.
Resumo Técnico Comparativo
| Barragem | Localização / Rio | Capacidade (m³) | Altura | Principais Cidades Protegidas | Status atual da Obra |
| Sul | Ituporanga (Rio Itajaí do Sul) | 110 Milhões | 43,5 m | Ituporanga, Aurora, Rio do Sul, Lontras | Concluída (Outubro/2025) |
| Oeste | Taió (Rio Itajaí do Oeste) | 100 Milhões | 30 m | Taió, Rio do Oeste, Laurentino, Rio do Sul | Em Licitação (R$ 61,32M) |
| Norte | José Boiteux (Rio Hercílio) | 325 Milhões | – | Blumenau, Médio e Baixo Vale | Iniciando (Ordem de Serviço) |
Expansão da Rede: O Futuro da Prevenção em SC
O secretário da Proteção e Defesa Civil, Cel BM Fabiano de Souza, reforça que o trabalho nas três gigantes é essencial, mas a estratégia de longo prazo vai além. O plano de resiliência climática de Santa Catarina já projeta novas frentes de contenção para blindar o Vale do Itajaí de forma definitiva:
- Projetos avançados e futuras obras: Botuverá, Mirim Doce e Petrolândia.
- Estudos de viabilidade técnica: Braço do Trombudo, Pouso Redondo e Agrolândia.
Com a combinação de automação remota, engenharia robusta e expansão da rede de proteção, o estado eleva seu patamar de preparação para mitigar o impacto de eventos climáticos extremos.