Tensão na Direita em SC: João Rodrigues reage à declaração de Flávio Bolsonaro
A política catarinense inicia a semana sob o impacto da passagem de Flávio Bolsonaro pelo estado. O senador, agora consolidado como o herdeiro político de Jair Bolsonaro para a disputa presidencial, deixou um rastro de discussões ao definir os rumos do apoio da família Bolsonaro em solo catarinense. Durante coletiva no último sábado, em Florianópolis, o cenário eleitoral de Santa Catarina ganhou novos contornos de tensão.

“Só tem um”: O anúncio que irritou João Rodrigues
Ao ser questionado sobre quantos candidatos de direita existem em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro foi enfático ao declarar que “só tem um: Jorginho Mello”. Essa afirmação, consequentemente, gerou uma reação imediata de João Rodrigues (PSD), que também se posiciona no espectro da direita.
Em um comentário que foi posteriormente apagado, Rodrigues questionou a autoridade do “01” para definir quem detém o título de direitista no estado. “Quem deu a escritura ou poder a ele para dizer quem é ou não é de direita em Santa Catarina?”, indagou o prefeito, evidenciando que a disputa pelo espólio conservador será acirrada.
O Reposicionamento do Bolsonarismo
A estratégia de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina aponta para um novo tom no movimento. Diferente do estilo mais combativo de seu pai, o pré-candidato apresentou um discurso focado em temas cotidianos, como:
- Redução da carga tributária;
- Redução da maioridade penal;
- Combate à violência contra as mulheres.
Além disso, chamou a atenção a fala de Carlos Bolsonaro, que mencionou a importância de aprender com os erros da gestão anterior. Essa mudança de postura sugere uma busca por conexão com questões práticas do dia a dia, afastando-se de polêmicas puramente ideológicas para focar em entregas de governo.
O Cenário para 2026 e o Fantasma de 2022
Diferente do que ocorreu em 2022, quando Jair Bolsonaro evitou declarar apoio exclusivo para não fragmentar sua base aliada (influenciado por nomes como Esperidião Amin e Ciro Nogueira), a postura atual parece ser de fidelidade total ao PL.
Portanto, o cenário que se desenha para o governo do estado coloca dois grandes nomes em rota de colisão. De um lado, Jorginho Mello (PL), buscando a reeleição com o selo oficial da família Bolsonaro; do outro, João Rodrigues (PSD), que reivindica seu histórico na direita independentemente de concessões oficiais.
Visto que a pré-campanha mal começou, a tendência é que as definições de “quem é quem” no tabuleiro político catarinense se tornem ainda mais centrais nos debates das próximas semanas.