
Brumadinho 7 Anos: “Foi uma Tragédia Anunciada”, Desabafa Helena Taliberti em Ato na Avenida Paulista
Neste domingo (25), a Avenida Paulista, em São Paulo, tornou-se palco de um ato simbólico e emocionante. Ao som de uma sirene que tocou precisamente às 12h28, familiares e ativistas relembraram os sete anos do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho. De fato, o evento não apenas homenageou as 272 vítimas, mas também serviu como um grito contra a impunidade que ainda marca o caso.

O Luto que se Transforma em Luta Ambiental
Helena Taliberti, que perdeu os dois filhos, a nora grávida e o ex-marido na tragédia, lidera o instituto que leva o nome de seus filhos, Camila e Luiz. Durante o ato, crianças manusearam argila e sementes, um gesto que simboliza a renovação e a necessidade de preservar o futuro.
Embora a dor de Helena seja profunda — especialmente pelo fato de não ter conhecido o neto que estava a caminho —, ela reforça que sua obrigação agora é zelar pelo meio ambiente urbano. Nesse sentido, Helena destaca que a preservação não deve ser pauta apenas para a Amazônia, mas sim uma urgência para cidades como São Paulo, que hoje possui apenas 12% de sua cobertura original de Mata Atlântica.
A Falha Crítica: Quando a Sirene Não Tocou
Um dos pontos mais críticos reforçados durante a manifestação foi a negligência técnica. Segundo as investigações, a mineradora tinha conhecimento dos problemas estruturais na barragem, mas a manutenção adequada não foi realizada.
Além disso, Helena enfatiza uma ironia cruel: no dia 25 de janeiro de 2019, a sirene de alerta — que poderia ter salvo centenas de vidas — permaneceu em silêncio. Portanto, o ato na Paulista busca ecoar o som que não foi ouvido há sete anos, servindo de alerta para que desastres como os de Mariana e Brumadinho jamais se repitam.

Sete Anos Depois: O Vazio da Justiça Criminal
Apesar do tempo decorrido, a sensação de injustiça prevalece entre os familiares. Atualmente, o processo tramita na Justiça mineira contra 15 pessoas, mas ainda não houve responsabilização criminal efetiva.
Em suma, Helena Taliberti conclui que a reparação financeira nunca será capaz de “reparar” a perda de uma vida. Contudo, ela defende que a condenação dos envolvidos é essencial para fechar a porta da impunidade. Afinal, sem justiça, o risco de novas tragédias continua sendo uma ameaça real para o país.


