Leilão do STS10: Impasses no Governo podem adiar megaterminal no Porto de Santos
O cronograma para o leilão do Tecon Santos 10 (STS10), um dos projetos de infraestrutura mais aguardados do Brasil, enfrenta novos desafios. Embora estivesse previsto para abril de 2026, o certame pode ser adiado para maio após uma solicitação do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Consequentemente, essa movimentação gerou divergências internas que agora escalam para o núcleo do Governo Federal.

Articulação no Palácio do Planalto
A princípio, o tema ganhou contornos políticos mais robustos na última segunda-feira. O ministro Silvio Costa Filho reuniu-se com o presidente Lula e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para discutir o futuro do terminal. Ainda que a pauta oficial não tenha sido detalhada, o STS10 foi o eixo central da conversa, evidenciando a importância estratégica do ativo para a logística nacional.
Restrição a Armadores: O Ponto de Atrito Internacional
Um dos maiores obstáculos para o lançamento do edital é a diretriz do Tribunal de Contas da União (TCU). Em resumo, o órgão recomenda a proibição da participação de:
- Armadores: Empresas de navegação (o que impacta diretamente a gigante chinesa Cosco Shipping);
- Operadores Locais: Empresas que já possuem terminais de contêineres no Porto de Santos.
Por um lado, essa medida visa evitar a concentração de mercado. Por outro lado, gera uma reação diplomática e comercial relevante, visto que a China é o principal parceiro econômico do Brasil.
Detalhes do Projeto e Investimentos
O impacto econômico do STS10 é monumental. Visto que o Porto de Santos precisa urgentemente expandir sua capacidade, o projeto prevê números expressivos:
| Atributo | Detalhes do Projeto |
| Investimento Previsto | R$ 6,45 bilhões |
| Área Total | 621,9 mil m² |
| Capacidade Anual | 3,25 milhões de TEUs |
| Prazo de Concessão | 25 anos |
Reação do Setor e Perspectivas
Apesar do possível atraso, parte do setor portuário vê a pausa com otimismo. Segundo Claudio Loureiro, diretor-executivo do Centronave, este tempo adicional pode servir para reavaliar o modelo de licitação. Dessa forma, seria possível construir um ambiente de “ampla concorrência”, permitindo que empresas capacitadas ofereçam outorgas mais robustas ao governo.
Em última análise, o mercado aguarda a formalização das regras no edital, que segue sem data definida. Enquanto Silvio Costa Filho prepara sua saída do ministério em abril para focar na disputa ao Senado, a definição do modelo do STS10 torna-se sua última e mais complexa missão na pasta.
FONTE: A Tribuna
IMAGEM: Reprodução/Datamar News


