Governo abre processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA e avalia contramedidas comerciais
Análise formal iniciada pela Camex e pelo Itamaraty define os próximos passos do Brasil diante do “tarifaço” norte-americano
O governo federal anunciou a abertura formal de um processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos (EUA) contra exportações brasileiras — o chamado tarifaço — será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto informou que o procedimento teve início após o compartilhamento do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com os demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) encarregou-se de notificar o governo norte-americano e de solicitar formalmente a abertura de consultas diplomáticas.
O foco no diálogo, mas com cautela estratégica
Apesar do avanço institucional, a abertura deste processo não significa que o Brasil tenha decidido aplicar de forma imediata tarifas de retaliação ou outras medidas punitivas contra produtos dos EUA. Neste momento, o governo executa uma análise técnica e formal rigorosa para verificar se as restrições impostas por Washington justificam a ativação das respostas previstas na legislação nacional.
“As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, destaca o comunicado oficial do Planalto.
O alcance da Lei de Reciprocidade
Sancionada no ano passado em meio às tensões comerciais com a gestão de Donald Trump, a Lei nº 15.122 estabelece diretrizes claras para a suspensão de concessões comerciais. Dessa forma, o instrumento jurídico é acionado sempre que ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país impactam negativamente a competitividade econômica brasileira.
Dentre as possíveis contramedidas mapeadas pela legislação, o país poderá:
- Impor novos tributos ou taxas alfandegárias;
- Revogar isenções ou reduções de valores em tarifas de importação;
- Restringir a entrada de bens ou serviços estrangeiros.
Cabe ressaltar que, por exigência legal, qualquer resposta aplicada deve guardar proporção direta com o prejuízo econômico gerado pela nação ou bloco em questão.
Contexto do impacto e ações na OMC
As tarifas aplicadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) desde o final de julho atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras. O pacote inclui sobretaxas de 25% sobre setores como ferro, aço, calçados, açúcar, etanol e maquinário, além de uma cobrança adicional de 12,5% fundamentada em alegações sobre o mercado de trabalho.
Em paralelo à via da reciprocidade, o governo brasileiro já havia formalizado um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as barreiras comerciais violam as regras multilaterais — um convite que foi aceito pelos norte-americanos.
Em última análise, o Planalto reforça que continuará atuando para proteger os setores afetados por meio de iniciativas como o Plano Brasil Soberano, buscando preservar empregos, diversificar parcerias comerciais e abrir novos mercados para a produção nacional.




