O Grande Espetáculo do Nada: STF Consegue a Proeza de Agitar o País Inteiro para Terminar o Dia Exatamente Onde Começou

Por Redação Folha do Litoral

​Brasília viveu mais um dia daquela sua modalidade esportiva favorita: o drama de auditório com transmissão ao vivo. A aguardada sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira tinha todos os ingredientes para parar o país — e parou. Houve tensão no ar, discursos comovidos sobre a “alma da República”, olhares fuzilantes e aquela mobilização geral de quem achava que o mundo ia acabar até o toque do sino da tarde.

​O resultado prático de toda essa pirotecnia jurídica? Absolutamente nada. Conseguiu-se a proeza de gerar um burburinho monumental, alimentar o ecossistema de análises políticas por semanas e entregar, ao final do placar, a mais pura e clássica pizza com briga de vizinho.

​O Roteiro de Sempre: Toga, Drama e Chute para a Lateral

​Se o objetivo fosse avaliar o talento cênico dos magistrados, a sessão mereceria o Oscar. Tivemos de tudo um pouco para manter o telespectador vidrado na tela da TV Justiça:

  • Farpas de grife: Aquela troca elegante de alfinetadas onde ninguém diz o nome de ninguém diretamente, mas todo mundo sabe exatamente quem está mandando quem catar coquinho.
  • O balé das suspeições: Quando a coisa aperta e o risco de votar algo concreto se aproxima, surge o festival de impedimentos, desculpas regimentais e questões de ordem capazes de fazer qualquer relógio de ponto pedir piedade.
  • O épico do óbvio: Discursos inflamados sobre a defesa intransigente da pátria, como se o país estivesse prestes a ser engolido por um buraco negro — enquanto o verdadeiro buraco negro é a capacidade da própria Corte de destravar pautas espinhosas sem desabar em crise corporativa.

​Muito Barulho por Nenhuma Conclusão

​O drama começou cedo, teve direito a suspensão estratégica para acalmar os ânimos e retomada no período da tarde com direito a plateia roendo as unhas. Mas, passada a tempestade de latim e os gestos teatrais de quem carrega o peso do universo nos ombros, o que sobrou? O bom e velho chutar a bola para a lateral.

​O STF conseguiu transformar um dia decisivo em uma verdadeira aula magna de enrolação institucional. Discutiu-se rito, discutiu-se o sexo dos anjos, discutiu-se a legitimidade do vento, mas fugiu-se da decisão como o diabo foge da cruz.

​No fim das contas, o contribuinte brasileiro assistiu a mais um capítulo da novela “Muito Barulho por Quase Nada”. O circo armado em Brasília montou, brilhou, entreteu e desmontou, deixando claro que, nas alturas do poder judiciário, o volume do som é inversamente proporcional à coragem de resolver. O país continua atônito, os processos continuam empilhados e o relógio segue rodando — pelo menos até o próximo chilique regimental.

CATEGORIA
Compartilhar com

Comentário

Disqus ( )

Anuncie conosco!