Primavera 2026 sob o El Niño: Calor Extremo, Seca e Tempestades Severas
A chegada da primavera de 2026 traz cenários climáticos extremos devido à força do El Niño. Descubra como o fenômeno afetará as chuvas e temperaturas em cada região do Brasil.
A primavera de 2026 chega oficialmente ao Hemisfério Sul nesta terça-feira (22), às 21h05. No entanto, a estação mais florida do ano não traz apenas paisagens renovadas, mas também previsões de altas temperaturas, episódios de seca intensa e formação rápida de tempestades severas em todo o território brasileiro.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a forte influência do El Niño será o principal motor climático dos próximos meses, gerando impactos contrastantes: o fenômeno agrava a estiagem em uma metade do país, enquanto intensifica os temporais na outra.
O Impacto do El Niño no Clima do Brasil em 2026
Conforme explica o meteorologista do Inmet, Mozar de Araújo Salvador, o El Niño tem potencial determinante para moldar as condições climáticas durante toda a estação, com reflexos diretos especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste.
Além disso, as projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA) indicam que há mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria de “muito forte”. Existe ainda uma chance de 75% de este ser o evento mais intenso registrado desde 1950.
Em consequência disso, as temperaturas devem ficar significativamente elevadas, podendo ultrapassar a média histórica para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a localidade.
Região por Região: Onde Chove Mais e Onde Falta Chuva?
Enquanto algumas áreas do país enfrentam riscos de alagamentos e temporais, outras sofrem com a escassez hídrica. Abaixo, detalhamos como o clima se comportará:
- Região Sul e Sudeste: A projeção aponta para o agravamento do excesso de chuvas. No Sul, destacam-se os Complexos Convectivos de Mesoescala (aglomerados circulares de tempestades). Nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, os volumes de precipitação também tendem a ser expressivos.
- Regiões Norte e Centro-Oeste: O fluxo de umidade vinda da Amazônia intensifica as chuvas no centro-sul da Região Norte, Centro-Oeste e Sudeste. Por outro lado, o norte de Mato Grosso, o norte de Goiás e áreas do Nordeste enfrentam maior probabilidade de déficit hídrico e chuvas irregulares.
- Região Nordeste: O norte da região, com destaque para o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, deve registrar volumes menores de precipitação, exigindo atenção para o estresse hídrico.
O Equinócio de Setembro: O Início Astronômico da Estação
Do ponto de vista astronômico, a primavera do Hemisfério Sul começa exatamente quando o planeta alcança o equinócio de setembro.
Trata-se do momento do ano em que os Hemisférios Norte e Sul recebem a mesma incidência de raios solares, resultando em dias e noites com a exata mesma duração (12 horas cada). O fenômeno ocorre duas vezes por ano (em março e setembro), alternando o início da primavera e do outono.
O que muda nos próximos meses?
- No Hemisfério Sul: Ao longo dos próximos três meses, os dias passarão a ficar cada vez mais longos, até que o solstício de dezembro (no dia 21, às 18h50) dê início oficial ao verão.
- No Hemisfério Norte: Ocorre o oposto, pois o equinócio marca o início do outono, fazendo com que as noites fiquem cada vez mais longas até a chegada do inverno em dezembro.




