“Israel quer continuar o projeto de limpeza étnica com o mínimo de testemunhas presentes”

Frederico Carreiro é ativista e autor da página “Estórias da Palestina”. Foi detido pelo exército israelita, na passada quinta-feira, enquanto participava na campanha de colheita da azeitona, na Cisjordânia. Em declarações à TSF, acusa Israel de querer “intimidar” e travar a presença internacional no território, para avançar com o que descreve como “um projeto de limpeza étnica”.
Frederico Carreiro e Ricardo Esteves Ribeiro foram detidos na passada quinta-feira, enquanto participavam na campanha de colheita da azeitona, em Rantis, na Cisjordânia. As autoridades justificaram a detenção de duas formas diferentes, ao longo do tempo: primeiro foram acusados de pisar uma “zona militar fechada”, mais tarde de “apoiar publicamente organizações terroristas”. Os dois portugueses foram deportados para Portugal no sábado.
Em entrevista à TSF, Frederico Carreiro afirma que as deportações levadas a cabo por Israel têm como objetivo “intimidar” e “tentar travar” a presença internacional na Cisjordânia. “Israel está a levar a cabo uma política de tentar reprimir ao máximo a presença internacional na Cisjordânia para poder continuar o seu projeto de limpeza étnica com o mínimo de testemunhas presentes”, afirma.
Apesar de considerar “preocupante” o aumento da repressão contra estrangeiros que se deslocam ao território, Frederico Carreiro lembra que o “projeto israelita” continua focado em “aterrorizar” a população palestiniana. “A violência e a opressão a que esta população está sujeita diariamente atingem uma escala incomparavelmente superior à que é enfrentada pelos internacionais presentes na região”, acrescenta.
Sobre os riscos associados à presença de cidadãos internacionais na Cisjordânia, Frederico Carreiro considera que a possibilidade de deportação não deve impedir a participação em ações de solidariedade com a população palestiniana. “O custo de ser deportado para uma pessoa europeia é um custo muito baixo para estar em solidariedade com o povo palestiniano”, defende.
O ativista recorda que, todos os anos, ativistas e jornalistas se deslocam à Cisjordânia para participar em iniciativas de “presença protetora”, procurando acompanhar e testemunhar a situação vivida pela população palestiniana.





