Espanha decreta três dias de luto após colisão entre comboios fazer dezenas de mortos

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, decretou três dias de luto após a segunda colisão de comboios de alta velocidade ocorrida este ano no país, que causou a morte de, pelo menos, 64 pessoas esta quarta-feira.

Toda a Espanha está em luto”, afirmou Sánchez, que se deslocou ao local do acidente, na região central de Castela-La Mancha, acrescentando que “não é aceitável que um país como a Espanha” sofra duas catástrofes deste tipo no mesmo ano.

Pedro Sánchez garantiu ainda que as autoridades irão “até ao fim” para descobrir as causas do acidente ferroviário ocorrido em Urda.

“Se houve negligência, será conhecida”, declarou o chefe do Governo espanhol.

No acidente, em que morreram pelo menos 64 pessoas, um comboio de alta velocidade chocou com outro, também de alta velocidade, perto da estação de Urda, Toledo, que estava parado na via.

Segundo o ministro espanhol dos Transportes, Oscar Puente, houve esta quarta-feira, por volta das 08h30 locais (07h30 em Lisboa), uma falha no sistema automático de segurança, por causa de falhas nas redes de comunicação, o que obrigou a parar de forma automática todos os comboios que circulavam num espaço de 63 quilómetros.

Devido à falha informática, o controlo da circulação passou a ser assumido por um centro de controlo que funciona em Madrid.

Foi então que, às 08h36, um dos comboios (um AVE, da empresa pública Renfe) recebeu uma ordem ou foi autorizado a “retomar a marcha com normalidade” e chocou com um outro comboio, da empresa privada Iryo, que continuava parado à entrada da estação de Urda, segundo o ministro, que falava numa conferência de imprensa em Madrid.

Nesse momento, segundo todos os protocolos, o comboio AVE, como os restantes que estavam nele a 63 quilómetros, “tinha obrigatoriamente de estar parado e não podia retomar a marcha”, havendo, além disso, outro comboio na mesma via e um sinal vermelho que o deveria impedir de avançar, afirmou Oscar Puente.

O comboio da Renfe percorreu ainda 25 quilómetros, em 15 a 17 minutos, antes de chocar com o Iryo, num tramo de via em que estas composições podem alcançar os 200 quilómetros por hora, acrescentou.

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