Em xeque ao crime organizado, Lula apela a Alcolumbre por votação da PEC da Segurança
O Palácio do Planalto subiu o tom na articulação política para tentar destravar uma das pautas mais sensíveis e cobradas pela opinião pública nacional. Com o propósito de centralizar as diretrizes de combate às facções criminosas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que pedirá formalmente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a inclusão imediata da PEC da Segurança Pública na pauta de votações da Casa. A matéria já cumpriu seu rito de tramitação e foi chancelada pela Câmara dos Deputados.
Com efeito, o movimento presidencial busca dar uma resposta célere à sociedade diante dos índices de violência urbana. Dessa forma, o Executivo federal tenta assumir o protagonismo da agenda de segurança nacional, uma bandeira historicamente disputada pela oposição no Congresso.

Investimento Bilionário e Reforço na Inteligência Policial
A princípio, o plano estruturado pela União não se limita a alterações na legislação. Nesse sentido, o chefe do Executivo detalhou as frentes de atuação do recém-lançado programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê um aporte financeiro robusto dividido em duas linhas de ação:
- Investimento Direto: R$ 1 bilhão em recursos próprios do governo federal para tecnologia e inteligência.
- Linha de Financiamento: R$ 10 bilhões liberados para que estados e prefeituras equipem suas forças de segurança locais.
Ademais, o presidente defendeu que a aprovação do texto constitucional dará o suporte jurídico necessário para reestruturar as forças federais. Isso porque a proposta amplia o escopo da Polícia Federal (PF), moderniza a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e abre caminho para a consolidação de uma Guarda Nacional permanente, reduzindo a dependência dos decretos temporários de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
Críticas ao Sistema e a Relação com os Governadores
Paralelamente ao anúncio dos investimentos, o presidente reconheceu a legitimidade da cobrança da população por mais proteção nas ruas e pontuou as falhas estruturais do atual modelo. Conforme a análise presidencial, as administrações estaduais, de forma isolada, não dão conta de conter o avanço do crime.
Por fim, o Executivo chamou a atenção para o problema da reincidência criminal nas pontas. Como resultado, há um descompasso onde a Polícia Militar realiza a prisão, mas brechas no sistema liberam os detidos em poucos dias. Portanto, a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) surge como a aposta para desburocratizar a cooperação entre a União e os governadores.
“Estou aguardando o Senado. Faço até um apelo ao presidente Alcolumbre: coloque para votar a PEC da segurança, que esse país vai resolver definitivamente o problema de segurança. Temos que ter uma polícia profissionalizada com inteligência para tomar conta da bandidagem”, cobrou o presidente em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.
O que muda com a PEC da Segurança Pública?
- Status Constitucional: O Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado em 2018 por lei ordinária, passa a integrar a Constituição.
- Desburocratização: Simplifica o repasse de verbas, compartilhamento de dados de inteligência e operações integradas entre as polícias Civil, Militar e Federal.
- Ação Federalizada: Uniformiza as políticas públicas de combate ao tráfico de drogas e armas em território nacional.


