Um Humano de Água e Sal
Assim como nós temos dias de calma e dias de agitação, o mar também tem seus temperamentos. Ele se move, ele puxa, ele cria caminhos próprios — as correntes de retorno — que são como os músculos desse grande organismo agindo sob a superfície.

- O Convite e o Limite: Ele nos oferece frescor, mas impõe regras.
- A Linguagem das Ondas: Cada quebra de onda e cada corrente é o mar se comunicando. Os acidentes que vemos nesta época do ano muitas vezes acontecem porque esquecemos de “ouvir” o que ele está dizendo.
Respeitar o Espaço do Outro
Quando entramos no mar, estamos interagindo com um organismo vivo muito mais antigo e potente que nós. Ele não é “mau” quando causa um susto ou um acidente; ele está apenas sendo quem ele é, em seu fluxo natural de energia e movimento.
O segredo da convivência é a humildade. Reconhecer que o mar tem vida própria nos ensina a admirá-lo com um passo atrás, respeitando suas correntes e entendendo que, diante de sua imensidão, somos apenas visitantes.
Para refletir:
Neste verão, ao olhar para o horizonte em SC, tente perceber o mar como esse vizinho gigante: ele é generoso e calmo, mas também tem seus momentos de força bruta. Respeitar o “tempo” e a “vontade” dele é a melhor forma de aproveitar sua companhia.
O Mar e o Respeito: Onde a Força se Curva à Sabedoria
O mar é um ser vivo de vontades imensas e movimentos próprios. Especialmente no verão, ele parece nos testar. No entanto, o que muitos confundem com “azar” ou “imprudência”, na verdade, é um conflito de naturezas: a força bruta do homem tentando enfrentar a inteligência fluida do oceano.
Não basta querer, é preciso saber
Muitos entram na água movidos apenas pela vontade ou pela confiança na própria força física. Mas o mar é para quem tem capacidade técnica. Ele não exige músculos; ele exige leitura.
- A Força é cega: O esforço físico sem direção é o que leva ao cansaço e ao pânico.
- A Inteligência vê: O conhecedor entende onde o mar “puxa” e onde ele “devolve”. Ele sabe que, contra um gigante vivo, a técnica vale mais que o fôlego.
A Consciência como Guia
A sabedoria no mar começa no reconhecimento dos nossos próprios limites. Ter consciência é entender que somos visitantes em um organismo que não para de pulsar.
”O mar não é para os fortes, é para os sábios.”
O conhecedor não luta contra a correnteza; ele a entende. Ele não ignora o aviso das ondas; ele o respeita. Os acidentes que vemos em nossa costa muitas vezes nascem da ausência dessa humildade técnica — a ideia equivocada de que a nossa vontade pode se sobrepor à vontade do mar.
O Convite à Prudência
Neste verão, que a nossa interação com as águas de Santa Catarina seja baseada na inteligência.
- Observe antes de agir: O mar fala através das cores e das espumas.
- Eduque a vontade: Se o corpo quer entrar, mas a mente percebe o risco, a sabedoria deve vencer.
- Respeite o mestre: O mar é um mestre antigo. Com ele, aprendemos que a segurança não vem do domínio, mas da harmonia e do conhecimento.
Edição: L. Thomazy


