Ponte Anita Garibaldi: Mário Motta aponta que falha dava sinal de colapso desde 2022

A interdição total da Ponte Anita Garibaldi, localizada na BR-101, em Laguna (SC), não se trata de um acontecimento repentino. Pelo contrário, essa crise estrutural tem origem em um grave problema identificado pela primeira vez quatro anos antes, exatamente na mesma seção da rodovia.

Com efeito, é o que revelam os documentos oficiais obtidos com exclusividade pelo gabinete do deputado estadual Mário Motta (PSD) junto à concessionária Via Costeira e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O Primeiro Alerta de Risco Estrutural em 2022

A imponente estrutura, inaugurada em 2015 pelo Governo Federal, é administrada atualmente pela Via Costeira por meio de um contrato de concessão firmado após o recebimento do trecho do DNIT. No entanto, o gabinete do deputado estadual descobriu que o primeiro sinal de dano relevante surgiu em outubro de 2022, durante uma vistoria de rotina.

De fato, em correspondência oficial enviada aos órgãos reguladores naquela data, a concessionária relatou sérias deficiências no combate à torção dos esforços do pilar 35. Além disso, a prospecção em campo confirmou aberturas visíveis entre as aduelas do vão central e o rompimento completo de quatro barras que ligavam a laje inferior.

Diante desse cenário, a própria concessionária afirmou textualmente que a situação indicava um risco iminente de colapso da estrutura. Como resultado daquela emergência, o tráfego foi restrito e os veículos pesados foram temporariamente desviados para a Ponte das Laranjeiras (Ponte da Cabeçuda).

A Solução Paliativa e o Novo Alerta em 2026

A solução adotada à época consistiu na instalação de cabos de protensão adicionais dentro da seção celular da ponte. Embora o reforço tenha sido concluído rapidamente para liberar as pistas, a fragilidade da Ponte Anita Garibaldi continuou sob monitoramento latente nos anos seguintes.

A Crise se Agrava no Mastro 36

Recentemente, em uma ata de reunião realizada em 6 de julho de 2026, a ANTT e a concessionária (hoje sob a gestão do grupo Motiva) trataram de uma nova e preocupante ocorrência. Desta vez, o problema foi a identificação de uma abertura de 2,5 milímetros entre aduelas no mastro 36 — um ponto totalmente distinto do que havia falhado em 2022.

Paralelamente, a concessionária admitiu à ANTT ter severas dificuldades para localizar os registros completos das etapas construtivas originais. Em outras palavras, a busca que se arrasta desde 2022 já revelou profundas divergências entre os projetos disponíveis no papel e a execução real feita na rodovia.

O Rompimento de Cabos e a Interdição Total da BR-101

Posteriormente, a situação tornou-se insustentável no dia 9 de julho de 2026. Isso porque um novo relatório técnico constatou o rompimento dos cabos de protensão exatamente na junta que havia recebido o reforço emergencial em 2022. Consequentemente, a análise indicou que a capacidade resistente da seção já não atendia às margens de segurança exigidas pelas normas vigentes.

Nota de Urgência: Com base na recomendação de uma consultoria especializada, a concessionária decretou a interdição total do tráfego na Ponte Anita Garibaldi a partir das 19h do dia 9 de julho de 2026. Imediatamente, o trânsito foi desviado para a Ponte das Cabeçudas para o início das intervenções emergenciais.

Deputado Mário Motta Cobra Explicações Rigorosas

Após apurar minuciosamente a linha do tempo que culminou no bloqueio total da rodovia federal, o deputado Mário Motta cobra respostas contundentes das autoridades. Em resumo, o parlamentar questiona o longo intervalo de quase quatro anos entre o primeiro alerta de colapso e o fechamento definitivo da via no mesmo local.

“O ponto mais grave é que o cidadão catarinense só ficou sabendo da real gravidade da situação quando a ponte já estava completamente fechada. Portanto, alguém precisa explicar o que foi feito desde 2022. Não podemos admitir que uma obra que custou quase 800 milhões de reais apresente problemas tão graves tão cedo. Por isso, meu gabinete está investigando tudo para levar o caso aos órgãos federais de controle”, pontuou Mário Motta.

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