Cresce proporção de mulheres candidatas à Alesc no comparativo com a eleição passada

Cresce proporção de mulheres candidatas à Alesc no comparativo com a eleição passada


Mulheres representam 34,2% das candidaturas a deputada estadual em 2026, ante 32,5% na eleição de 2022.

As pioneiras: Antonieta de Barros e Ingeborg Colin foram as primeiras mulheres a ocuparem uma cadeira na Alesc

A proporção de mulheres candidatas a deputada estadual nas eleições deste ano cresceu em relação à disputa de 2022.

É o que apontam os dados das Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Sistema Histórico das Eleições (SHE) do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) e do Sistema de Divulgação de Candidaturas e de Prestação de Contas Eleitorais (DivulgaCandContas 2026) do TSE.

Neste ano, as urnas contarão com 138 mulheres, o que equivale a 34,2% do total das candidaturas ao Parlamento catarinense. Os homens respondem por 266 candidaturas (65,8%). Em 2022, a proporção de mulheres era de 32,5%.

Participação cresce

Eleição a eleição, as candidaturas femininas têm conquistado mais espaço nas disputas para a Alesc. Em 1982, dos 132 concorrentes, apenas uma era mulher, o que equivalia, à época, a 0,0075% dos concorrentes.

De 1986 a 2002, a participação feminina variou bastante, mas nunca passou de 10%. Só a partir de 2006 é que se observa um crescimento constante na presença das mulheres. Naquela eleição, quase 12% das candidaturas eram do sexo feminino. Esse número saltou para quase 23% em 2010, 28% em 2014, 30,4% em 2018 e 32,5% em 2022.

Participação feminina

Mulheres ampliam participação nas candidaturas à Alesc

Proporção de mulheres entre os candidatos a deputado estadual em Santa Catarina.

1982

Participação feminina:menos de 1%

2006

Participação feminina:quase 12%

2010

Participação feminina:quase 23%

2014

Participação feminina:28%

2018

Participação feminina:30,4%

2022

Participação feminina:32,5%

2026

Participação feminina: 34,2%

Em 2026, 138 das 404 candidaturas à Alesc são de mulheres.

Cotas e financiamento

Uma das principais razões para esse avanço foi o estabelecimento de um percentual mínimo para a presença de candidatos de cada um dos sexos na disputa das eleições proporcionais.

O artigo 10º da Lei Federal 9.504/1997 (Lei das Eleições) estabelecia uma reserva de no mínimo 30% e no máximo de 70% para candidaturas de cada sexo.

Em 2009, uma reforma eleitoral tornou obrigatória essa reserva mínima de 30% das vagas para um dos sexos. No entanto, ao menos em Santa Catarina, essa proporção só passou a ser obedecida a partir de 2018.

Ainda em 2018, o TSE determinou que no mínimo 30% dos recursos do Fundo Eleitoral sejam destinados a candidatas mulheres. Essa era uma das queixas comuns a várias candidatas pelo país. Para cumprir as cotas de candidaturas, as mulheres eram registradas, mas não recebiam apoio financeiro do partido.

Para a eleição passada, as mulheres obtiveram outra conquista na luta pela inclusão feminina na política. A reforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional em 2021 estabeleceu que os votos dados para as mulheres e para os negros na disputa pela Câmara dos Deputados contarão em dobro dos recursos do Fundo Eleitoral entre os partidos. Além disso, 5% dos recursos dos partidos devem ser utilizados para financiar programas de promoção da mulher na política.

Mesmo assim, o combate às “candidaturas-laranja”, ou seja, mulheres que são registradas pelos partidos apenas para cumprir a cota de 30%, sem que as mesmas se engajem na campanha, ainda é um desafio para promover a inclusão feminina no processo eleitoral.

Mulheres na Alesc

Na eleição de 2022, a Alesc elegeu, entre os 40 deputados, três mulheres. Na história, 2018 registrou o maior número de mulheres eleitas: 5.

Desde que as mulheres passaram a votar e a ser votadas, em 1932, as mulheres conquistaram 26 mandatos em 10 legislaturas na Alesc. Ao todo, 21 diferentes mulheres ocuparam uma cadeira no Parlamento: 12 foram titulares do mandato e nove exerceram o cargo na condição de suplentes. Na atual legislatura, três são titulares do mandato e outras quatro passaram pela Alesc como suplentes.

A primeira eleita foi com Antonieta de Barros, em 1934, mas, somente a partir de 1994, ao menos uma mulher foi eleita para cada legislatura. Antes disso, além de Antonieta, a joinvilense Ingeborg Colin esteve na Alesc como suplente, entre os anos de 1959 e 1963.

Gênero e orientação sexual

A Justiça Eleitoral trouxe neste ano dados sobre a identidade de gênero e a orientação sexual dos candidatos. O fornecimento dessas informações, no entanto, não era obrigatória. Com isso, quase 40% dos postulantes não informaram a identidade, enquanto 47,3% não indicaram a orientação sexual.

Entre aqueles que se manifestaram, três dos 404 candidatos se identificam como transgêneros. Uma das candidaturas, no enquanto, foi considerada inapta pela Justiça Eleitoral, porém o nome da concorrente estará na urna.

Com relação à orientação sexual, 94,5% se declararam heterossexuais. Seis candidatos informaram serem gays, outros cinco se colocaram como bissexuais e um como pansexual.

Mulheres eleitas por ano

Representação feminina

Mulheres eleitas para a Alesc ao longo das eleições

Veja a quantidade de mulheres eleitas para a Assembleia Legislativa nos anos registrados no levantamento.

1934

1mulher eleita

1986

1mulher eleita

1994

1mulher eleita

1998

2mulheres eleitas

2002

2mulheres eleitasDuas suplentes exerceram mandato na respectiva legislatura.

2006

3mulheres eleitasUma suplente ocupou cadeira.

2010

4mulheres eleitasDuas suplentes estiveram na Alesc e uma delas foi efetivada no mandato.

2014

4mulheres eleitas

2018

5mulheres eleitasDuas suplentes exerceram mandato.

2022

3mulheres eleitasQuatro suplentes exerceram mandato.


ALESC EXPLICA

Quantas mulheres são candidatas à Alesc em 2026?

Segundo o levantamento apresentado na reportagem, são 138 mulheres, equivalentes a 34,2% das candidaturas ao Parlamento catarinense.

A participação feminina aumentou em relação a 2022?

Sim. Em 2022, mulheres representavam 32,5% das candidaturas. Em 2026, a proporção apresentada na reportagem é de 34,2%.

Existe percentual mínimo de candidaturas femininas?

A legislação eleitoral estabelece percentual mínimo de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais. A reportagem aborda as mudanças implementadas ao longo dos anos para ampliar a participação feminina.

Há regras para financiamento de candidaturas de mulheres?

Sim. Para 2026, o TSE estabelece que os recursos destinados às candidaturas femininas devem acompanhar a proporção de mulheres entre as candidaturas masculinas e femininas do partido em âmbito nacional, nunca ficando abaixo de 30%.

Quantas mulheres foram eleitas deputadas estaduais em 2022?

Segundo o levantamento apresentado na matéria, três mulheres foram eleitas entre as 40 cadeiras da Alesc.

Edição: Marcelo Espinoza

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