Brasil 2026 – De A a Z

A – André Janones. Órfão de pai desde os dez meses, sabe o que é passar fome. Os sacrifícios da mãe permitiram-lhe acabar os estudos. Hoje é deputado e criou o canal Exército do Lula no whatsapp, de momento com 10,6 milhões de seguidores, tendo sido fundamental na vitoriosa estratégia de campanha, no segundo turno.
B – Bolsonarismo. Não morreu mas sofreu um duro abalo. Já cantava vitória e sofreu uma derrota clara na corrida presidencial. Fica mais difícil, ou impossível, o indulto ao patriarca Jair.
C – Congresso. Lula vai ter de enfrentar uma câmara de deputados e um Senado ainda mais hostis do que no mandato que agora termina. Vai ser preciso disponibilidade para negociar.
D – Donald Trump. Mandou segurar o comunicado da Casa Branca de reconhecimento da vitória de Lula após as alegações de Flávio Bolsonaro. Insinuou fraude eleitoral mas diz, ao mesmo tempo, gostar de Lula. Não reconhecer derrotas começa a ser uma espécie de cartão de visita da extrema-direita mundial. Trump teme agora que a onda jovem progressista suba no continente americano até às intercalares do próximo dia 3, terça-feira.
E – Evangélicos. Esquecidos e ignorados por parte do PT, representam um terço do eleitorado e votaram maioritariamente em Flávio Bolsonaro, ainda que o presidente tenha subido de 23 para 27% neste segmento da população. Lula prometeu respeitar por igual todas as religiões.
F – Flávio Bolsonaro. Podia ser F de fugitivo. Derrotado por culpa própria, está a ser investigado por financiamento ilegal da campanha e lavagem de dinheiro através de apostas, desperdiçou o que tinha tentado demonstrar em termos de moderação, ao chamar “nove dedos” a Lula e ao não reconhecer a vitória de Lula. Foi para a Argentina e, via Equador, seguiu para os EUA, após o juíz Alexandre de Moraes o ter intimado a entregar os passaportes (incluindo o diplomático) no prazo de 24 horas (a contar a partir de segunda ao fim da tarde). Na primeira versão do documento divulgado pelo influenciador digital Paulo Figueiredo, Flávio autoproclamou-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em nova versão, publicada no seu perfil no X, apresentou-se como “o líder do Brasil”.
O senador do PL alegou, sem provas, que houve fraude no processo eleitoral. Mais um Bolsonaro auto-exilado em Miami e a contas com a justiça brasileira.
G – Geraldo Alckmin. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) entre 2023 e abril de 2026, deixando o cargo no início de abril de 2026 para se dedicar à campanha de reeleição, foi elogiado por Lula no momento da vitória. Lealdade, compromisso, garante um apoio mais centrista ao governo.
H – Heliopólis, em São Paulo, funciona aqui como exemplo; é uma comunidade com famílias, trabalhadores, comerciantes, escolas e organizações sociais. A presença do crime organizado na comunidade não significa que todos os moradores estejam envolvidos, mas são estigmatizadas como tal. O Brasil tem um problema de Segurança pública, mas também de cultura policial e de milícias policiais que tentam ficar com parte do bolo financeiro gerado pelo tráfico de drogas.
I – Internacional. O Brasil vai manter a sua política externa, baseada no multilateralismo e na defesa da Carta das Nações Unidas. Lula garante é que o Brasil “não vai ser o quintal de ninguém”
J – Juventude. Mobilização extraordinária, foi chave para o triunfo de Lula. Não há percentagem oficial final que indique quantos eleitores jovens votaram em Lula, mas numa sondagem Datafolha publicada em outubro de 2026, Lula tinha 52% das intenções de voto, contra 40% de Flávio Bolsonaro, numa simulação de segundo turno. A alegria contagiante na mega manifestação da Avenida Paulista na véspera da eleição fica como um dos momentos altos desta eleição.
K – Kássio Nunes Marques. Após a declaração golpista do candidato à Presidência derrotado Flávio Bolsonaro (PL), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, divulgou nota em que afirma que as eleições do último domingo ocorreram “dentro da mais absoluta normalidade” e que foram “as mais inclusivas da história da República brasileira”.
L – Luís Inácio Lula da Silva. O político mais determinante do Brasil nas últimas quatro décadas. Um grande triunfo aos 81 anos de idade. Desafios muito complexos pela frente, para quem elevou muito a fasquia: “farei o melhor governo que o Brasil já conheceu”.
M – Minas Gerais. Voltou a confirmar a tradição: quem vence em minas, chega ao Palácio do Planalto. Lula venceu com 50,43%, 6.351.099 votos, mais 110 mil que o adversário, num universo de treze milhões, naquele que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
N – Nordeste. Os dez estados da região aumentaram significativamente a votação em Lula entre a primeira e a segunda volta. No conjunto da região, o crescimento foi de 5,60 pontos percentuais, segundoos resultados compilados a partir dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O melhor resultado foi no Piauí, 75,88%. Não admira que Rafael Fonteles, o governador, esteja na primeira linha dos próximos de Lula e a ser cogitado para o cargo de ministro das finanças (Fazenda).
O – Omar Aziz, governador do Amazonas. Em março de 2026, Aziz manifestou apoio à reeleição de Lula, apesar de o PSD, seu partido, ter apoiado nacionalmente outra candidatura presidencial. Deu a Lula uma estrutura política regional A coligação de Aziz reuniu PSD, MDB, Republicanos e a federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV. Essa aliança permitiu aproximar Lula de lideranças estaduais e municipais e organizar uma campanha conjunta. A 19 de outubro, Aziz pediu publicamente aos seus apoiantes que votassem também em Lula. A mensagem associava a eleição presidencial a interesses concretos do Amazonas, como a Zona Franca de Manaus, a infraestrutura e os investimentos federais.
P – Progressistas. Depois da vitória, fazer o que ainda não foi feito. Escutar. Ouvir o outro lado. Sem preconceitos de superioridade moral ou intelectual. Para que mãos possam encontrar mãos e debate de ideias, em vez de armas, ódio e intolerância.
Q – Quaest e Datafolha. As principais empresas de sondagens do Brasil erraram no vencedor do segundo turno presidencial. Os dois apontavam Flávio Bolsonaro à frente de Lula na véspera da votação, mas Lula venceu. Na última pesquisa, divulgada em 24 de outubro, o instituto também estimou 51% para Flávio e 49% para Lula, nos votos válidos. As sondagens indicavam Flávio 2 pontos à frente; o resultado deu Lula 3,58 pontos à frente.
A diferença entre as margens foi de aproximadamente 5,58 pontos percentuais. Superior aos “dois para mais ou para menos”.
R – Rio de Janeiro. No estado do Rio de Janeiro, a jogar em casa, Flávio Bolsonaro (PL) venceu a eleição presidencial no segundo turno, derrotando Lula (PT) na votação estadual. Mas o presidente reeleito subiu de 39% para 46,9% entre as duas voltas. Um feito notável e importante, principalmente porque não teve o apoio declarado de nenhum dos principais nano-candidatos.
S – Supremo Tribunal Federal. Rodrigo Pacheco, ex-líder do Senado, atualmente no Tribunal de Contas, pode ocupar vaga no STF até ao final do ano. Outro nome possível é aquele que foi proposto pelo Instituto Juristas Negras, que apresentou a promotora do Ministério Público da Bahia, Lívia Sant”Anna Vaz, como uma opção. Em maio, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 51% dos brasileiros consderam muito importante e 18% um pouco importante a escolha de uma mulher para o tribunal supremo. Além disso, 46% dizem ser muito importante e 16% um pouco importante a indicação de uma pessoa negra.
T – Trabalhista. Partido. PT. Lula venceu, mas a vitória deve-se mais ao carisma pessoal e à estratégia digital de Janones do que a um partido que trata em perceber que o mundo do trabalhou mudou imensamente; logo, o tipo de resposta não pode ser o mesmo.
U – Unir. Os brasileiros. Divididos nas urnas, mas talvez unidos no desejo de uma vida melhor e sem sobressaltos políticos ou económicos. Tarefa para Lula 4.
V – Verde e Amarelo e Vermelho. As cores da política brasileira. Sem abdicar do vermelho do PT, a candidatura de Lula conseguiu, por fim, mostrar que o verde e amarelo da bandeira e da seleção, não podem ser privatizados por uma facção política.
X – Xandão. Alexandre de Moraes mandou apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro no dia seguinte à eleição presidencial que o senador do PL perdeu. A decisão do juíz do STF permitiu leituras políticas. Lula deve ter ficado furioso. Flávio devia até ser levado ao aeroporto para poder sair. Sem vitimização
Z – Zanin: Prorrogação do horário de votação em duas horas, determinada pelo ministro, juiz, do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin M, ex-advogado de Lula, devido a problemas relacionados com o transporte de eleitores ao longo do dia de domingo, 25. Autarcas de Salvador e São Paulo determinaram que parte da frota ficasse na garagem, prejudicando a mobilidade das pessoas em dia de votação.
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