Chefe de inteligência na Colômbia deixa cargo após entrega de dados falsos à ONU

Chefe de inteligência na Colômbia deixa cargo após entrega de dados falsos à ONU

O chefe da Inteligência militar na Colômbia deixou o cargo nesta segunda-feira (30) depois que o presidente Iván Duque entregou à ONU um relatório com base em informações de seu gabinete sobre a suposta presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela com pelo menos duas fotos com dados falsos.

O general Oswaldo Peña, que atuou como diretor de Inteligência e Contrainteligência das Forças Militares, apresentou uma “comunicação” ao presidente, na qual ele “solicita sua aposentadoria do serviço ativo”, afirmou o Ministério da Defesa em comunicado.

“Estou consciente da necessidade de responder por minhas ações e pelas de meus subordinados, e ajo de acordo”, disse Peña, citado no boletim.

Os erros do dossiê entregue na quinta-feira ao secretário das Nações Unidas, António Guterres, provocaram críticas a Duque da oposição colombiana e do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O dossiê de 128 páginas contém “evidências fortes e convincentes” sobre o apoio da Venezuela ao Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidências da ex-guerrilha das Farc, segundo Duque. Entretanto, pelo menos duas das imagens no documento, cujo conteúdo ainda não foi totalmente divulgado, continham dados falsos, confirmou a AFP.

A primeira é de guerrilheiros do ELN apresentados como de abril de 2018 no estado venezuelano de Táchira, embora tenha sido publicada em junho de 2015 pelo jornal El Colombiano, que na época afirmou que a inteligência militar apontou como rebeldes no departamento colombiano de Cauca.

Duque disse que a fotografia é “contextual” e “anedótica dentro do dossiê”.

Além disso, o documento denuncia um “massacre” no estado venezuelano de Bolívar em outubro de 2018 por “confrontos” entre o ELN e membros de gangues venezuelanas.

A mensagem é ilustrada com a foto de uma cabana grafitada com a sigla ELN, mas a imagem foi tirada na região colombiana de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela, pelo fotógrafo da AFP Luis Robayo.

Outras duas imagens da AFP também foram divulgadas sem dar crédito e foram tiradas na Colômbia. Um porta-voz do Ministério da Defesa pediu desculpas na sexta-feira a essa agência pelo uso inadequado da imagem de Catatumbo e por não reconhecer a autoria nas demais.

A Colômbia lidera com os Estados Unidos a pressão internacional para Maduro abandonar o poder e substituir a oposição Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cinquenta países.

A escalada verbal aumentou nas últimas semanas, depois que Bogotá intensificou suas alegações de que Maduro protege guerrilheiros colombianos.

Em resposta, Maduro, que chamou Duque de “imbecil” por fornecer dados falsos, ordenou exercícios militares e a implantação de um sistema de mísseis na área de fronteira de 2.219 km.

Nesta segunda-feira, a secretaria-geral da OEA expressou seu apoio à denúncia da Colômbia à ONU de que a Venezuela.

A secretaria-geral da OEA afirmou que “considera que o trabalho contínuo realizado pelo governo colombiano na sistematização e análise de evidências é relevante para fortalecer a paz e a segurança no Hemisfério”.

Foto: O presidente da Colômbia, Iván Duque, publicou uma série de imagens de supostos rebeldes na Venezuela, mas pelo menos uma das fotografias contém informação falsa.
AFP / Kena Betancur

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