Inteligência Artificial: 37% da população no Sul teme redução de empregos

O avanço das novas tecnologias tem redesenhado as relações de trabalho no Brasil. Contudo, a percepção de impacto varia significativamente de acordo com a região. De acordo com a 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo IPESPE, 37% da população do Sul acredita que a Inteligência Artificial (IA) representa uma ameaça direta à oferta de vagas no mercado de trabalho.

Antonio Lavareda

Apesar de ser um número expressivo, o Sul é a região que apresenta o menor percentual de receio no país. Para fins de comparação, a preocupação com a perda de vagas atinge patamares bem mais elevados nas outras regiões:

  • Sudeste: 55%
  • Norte: 51%
  • Nordeste: 50%
  • Centro-Oeste: 49%

Oportunidades versus riscos no mercado profissional

Além de avaliar os temores da população, o levantamento investigou a visão geral sobre os impactos da tecnologia na carreira. No Sul, a maior parte dos entrevistados adota uma postura equilibrada:

  • 41% acreditam que a IA trará riscos e oportunidades na mesma medida;
  • 34% apostam que a tecnologia trará mais oportunidades do que riscos;
  • 12% veem mais ameaças do que pontos positivos.

Consequentemente, esses dados revelam que, embora exista um pé atrás, a população sulista enxerga um forte potencial de transformação positiva no uso dessas ferramentas.

Familiaridade e hábitos de uso da IA entre os sulistas

A pesquisa também trouxe um panorama detalhado sobre o nível de conhecimento dos brasileiros acerca do tema. Nesse sentido, os dados mostram que a tecnologia já está bastante presente no cotidiano da Região Sul:

Métrica de Conhecimento e UsoPercentual no Sul
Já ouviram falar sobre Inteligência Artificial94% (média nacional: 92%)
Afirmam que já utilizaram alguma ferramenta de IA75%
Relatam ter certeza de já ter tido contato com a tecnologia77%
Afirmam conhecer bem a ferramenta35%

Por que alguns ainda resistem ao uso?

Entretanto, uma parcela dos entrevistados ainda evita utilizar a inteligência artificial. Entre os principais motivos alegados por quem não usa a ferramenta, destacam-se o medo de cometer erros ou receber notícias falsas (32%) e a preocupação com a privacidade e proteção de dados pessoais (15%).

Como a população utiliza a IA no dia a dia

Quando questionados sobre as principais finalidades no uso prático, a grande campeã é a busca de informações e esclarecimento de dúvidas (63%). Em seguida, aparecem a aplicação profissional (12%) e a criação de imagens e vídeos (11%).

Por isso, as maiores expectativas positivas em relação à IA estão centradas na eficiência pessoal: 35% esperam ganho de tempo na rotina, enquanto 34% buscam o aprendizado de novas habilidades.

O cenário regulatório no Brasil

Para o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE, os resultados refletem com clareza o momento de transição vivido pelo país:

“A pesquisa traz um cenário compatível com o estágio atual do debate no país. Ainda estamos discutindo um marco legal específico para a inteligência artificial, e órgãos como a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) vêm testando instrumentos regulatórios voltados à IA e à proteção de dados”, ressalta Lavareda.

Por fim, o debate reforça a importância de alinhar a inovação tecnológica com políticas de segurança da informação e requalificação profissional para mitigar os impactos no mercado de trabalho.

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