Ponte Anita Garibaldi: Concessionária aguarda documentação do DNIT há três anos
Resumo: Documentos obtidos pelo deputado Mário Motta revelam que a concessionária cobra informações essenciais sobre a construção da ponte desde 2023, sem sucesso. A ausência de registros compromete a análise dos graves problemas estruturais que interditaram a via na BR-101.
O deputado estadual Mário Motta (PSD) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para apresentar novos e alarmantes elementos sobre a crise estrutural da Ponte Anita Garibaldi, localizada na BR-101, em Laguna. De acordo com documentos públicos obtidos pelo gabinete do parlamentar, a concessionária responsável pela rodovia cobra do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) o acesso a registros históricos da obra desde pelo menos maio de 2023.

De fato, esses documentos são considerados essenciais para identificar as reais causas das falhas que comprometeram a segurança da estrutura. Vale lembrar que a ponte, inaugurada em 2015, acabou sendo totalmente fechada ao tráfego devido ao agravamento dessas patologias estruturais.
O histórico das falhas estruturais e a interdição
A princípio, a concessionária havia comunicado à ANTT a necessidade de restringir a circulação de cargas especiais (acima de 10 toneladas por eixo) por cerca de seis meses. Essa decisão foi motivada pela identificação de uma abertura de 2,5 milímetros entre aduelas no vão lateral do mastro 36.
No entanto, poucos dias depois, novos ensaios técnicos apontaram o rompimento de cabos de protensão no mastro 35 (junta entre as aduelas A6 e A7 do vão central). Como resultado dessa descoberta crítica, a interdição total da via tornou-se inevitável para garantir a segurança dos motoristas.
Documentos cruciais solicitados desde 2023
Com base no levantamento detalhado apresentado pelo deputado Mário Motta, a concessionária e sua consultoria técnica já haviam alertado a ANTT sobre as lacunas de informação. O projeto As Built (como construído) fornecido pelo DNIT — órgão responsável pela obra original — não continha dados suficientes sobre a execução da ponte.
Por esse motivo, a concessionária solicitou formalmente o apoio da ANTT para localizar documentos vitais, tais como:
- Diários de obra detalhados.
- Boletins de campo oficiais.
- Dados técnicos relativos ao fechamento do vão central.
- Registros sobre os ajustes realizados nos estais de sustentação.
Embora a necessidade tenha sido reiterada em reuniões sucessivas, a documentação continuava indisponível até a denúncia do parlamentar, acumulando anos de atraso desde o primeiro pedido formal.
Indícios de falhas na fase de construção
Além disso, o deputado apresentou uma fotografia histórica da fase final de construção da ponte, capturada momentos antes do fechamento do vão central. Segundo Mário Motta, a imagem evidencia de forma clara um desnível no ponto de encontro das estruturas — detalhe técnico que não consta no projeto As Built disponibilizado.
Nesse sentido, relatórios técnicos posteriores sugerem que as soluções improvisadas adotadas na época para viabilizar o fechamento do vão central podem ter gerado sérias repercussões no comportamento global da estrutura ao longo dos anos.
Medidas institucionais e cobrança de responsabilidade
Diante da gravidade dos fatos, Mário Motta protocolou uma Moção de Apelo dirigida ao DNIT e à ANTT, exigindo que os órgãos concentrem esforços máximos para localizar, preservar e entregar a documentação completa. O deputado também estuda outras medidas legais, visto que a falta de transparência afeta diretamente a fiscalização, o recebimento da obra e a própria vida útil do patrimônio público.
“Todas essas respostas deveriam estar na mesa da concessionária há anos. Se eles já tivessem sido respondidos, talvez não estaríamos precisando enfrentar essa dolorosa paralisação do trânsito na ponte. O que nós estamos apurando é uma verdadeira falta de respeito com o catarinense”, desabafou o deputado.




