Violência contra a mulher em SC: O silêncio que precede a tragédia

A violência contra a mulher em Santa Catarina deixou de ser apenas um dado estatístico para se tornar uma emergência social sem precedentes. De acordo com o Observatório da Violência Contra a Mulher da Alesc, o estado registra uma média alarmante de 198 casos por dia. Em outras palavras, a cada hora, pelo menos oito mulheres são vítimas de algum tipo de agressão em solo catarinense.

O Papel do Observatório e a Realidade dos Dados

Em primeiro lugar, é preciso entender que o Observatório (OVM/SC) foi criado com o intuito de unificar informações e subsidiar políticas públicas. No entanto, os números revelam que, entre 2020 e 2025, mais de 445 mil crimes foram registrados. Nesse sentido, a deputada Luciane Carminatti alerta que não podemos naturalizar esses índices, visto que cada número representa uma vida sob constante ameaça.

Além disso, as estatísticas mostram um padrão cruel:

  • Perfil das Vítimas: A idade média é de 36 anos.
  • Raio-X dos Crimes: As ameaças lideram o ranking, somando mais de 205 mil casos.
  • Feminicídios: Entre 2020 e 2025, 329 mulheres foram assassinadas, sendo que a maioria dos agressores eram parceiros ou ex-parceiros.

Falhas na Proteção: O Desafio das Medidas Protetivas

Apesar de o número de pedidos de medidas protetivas ter saltado de 16 mil em 2020 para mais de 31 mil em 2025, a eficácia dessas ordens ainda é questionável. Isso ocorre porque Santa Catarina ocupa o 2º lugar no ranking nacional de descumprimento judicial. Consequentemente, uma em cada quatro medidas é desrespeitada, evidenciando que, sem fiscalização, o papel não protege a vítima.

Por outro lado, um dado ainda mais doloroso acende o alerta máximo: 85,7% das vítimas de feminicídio não tinham boletim de ocorrência contra o autor. Ou seja, o silêncio e o medo impedem que a rede de proteção chegue antes do crime fatal.

O Ciclo da Reincidência e Dados de 2026

No que diz respeito aos agressores, 71,4% já possuíam histórico policial. Portanto, o risco era previsível. Até o momento, em 2026, os dados parciais já apontam quase 7 mil casos de violência e cinco feminicídios confirmados. Dessa forma, fica claro que a violência não surge do nada; ela se inicia no controle, na humilhação e na ameaça psicológica.

Canais de Denúncia: Você Não Está Sozinha

Se você ou alguém que você conhece está passando por isso, é fundamental romper o silêncio imediatamente. Afinal, existem diversos canais de apoio gratuitos e sigilosos:

  • Emergências: Ligue 190 (Polícia Militar).
  • Denúncia Anônima: Ligue 181 ou use o WhatsApp da Polícia Civil: (48) 98844-0083.
  • Apoio Jurídico: A Defensoria Pública oferece acolhimento gratuito para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Em suma, o enfrentamento à violência de gênero exige vigilância permanente de toda a sociedade. Afinal, como afirma a procuradora Cibelly Farias, o direito a uma vida digna é inegociável.

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