
Xadrez Político: Jorginho Mello ignora cúpulas partidárias e aposta no pragmatismo das prefeituras no Sul
Os bastidores do poder em Santa Catarina ganharam contornos de forte audácia e pragmatismo econômico nos últimos dias. Com o propósito de consolidar sua influência nas bases municipais, o governador Jorginho Mello cumpriu uma intensa agenda de articulação no Sul do estado. Durante os encontros, o chefe do Executivo estadual mandou um recado explícito e sem filtros ao mercado político: para ele, o apoio dos prefeitos do Progressistas (PP) é de 100% e uma parcela expressiva dos prefeitos do MDB já caminha ao seu lado, independentemente das diretrizes de suas Executivas Estaduais.
Com efeito, a declaração funciona como um trator sobre as instâncias de poder partidário. Ao cravar em tom assertivo que “partido não é barriga de aluguel de ninguém” e disparar que “se partido fosse bom, vinha inteiro”, Jorginho minimizou publicamente os movimentos e os acordos de cúpula liderados por caciques da política catarinense, como o senador Esperidião Amin (PP), o deputado federal Carlos Chiodini (MDB) e o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD).
O Pragmatismo do Píer Municipalista contra o Discurso de Cúpula
A princípio, a estratégia do Palácio da Agronômica baseia-se em uma leitura realista e fria do tabuleiro eleitoral. Nesse sentido, o governador aposta as suas fichas na tese de que o pragmatismo da sobrevivência administrativa das prefeituras fala muito mais alto do que a rigidez ideológica ou a fidelidade às siglas.
Ademais, os prefeitos na ponta dependem diretamente de recursos estaduais, convênios e liberação de emendas para dar ritmo às suas obras locais e garantir a aprovação popular. Dessa forma, ao garantir o fluxo de investimentos nas cidades do Sul, o governo estadual atrai os gestores municipais para a sua órbita de influência, esvaziando o poder de barganha e o controle que os presidentes estaduais exercem sobre as bancadas.
“A caneta do Executivo estadual cria uma força de gravidade que atrai os prefeitos, mitigando a capacidade das cúpulas de imporem candidaturas ou isolarem o governo”, avaliam analistas de bastidor.
O Recado Indireto para Amin, Chiodini e João Rodrigues
Paralelamente, o movimento atinge diretamente três grandes eixos de articulação que tentam desenhar rotas alternativas para as próximas eleições majoritárias:
- Esperidião Amin (PP): Vê o governador avançar sobre as bases de prefeitos progressistas, que priorizam parcerias administrativas com o Estado em detrimento de isolamentos partidários;
- Carlos Chiodini (MDB): Enfrenta o desafio de unificar uma sigla que, historicamente, possui uma ala governista muito forte e seduzida pela estrutura do governo;
- João Rodrigues (PSD): Observa a consolidação de Jorginho Mello no Sul como uma barreira para a expansão do projeto do PSD para além das fronteiras do Grande Oeste.
Por fim, a investida sinaliza que a construção do projeto de reeleição da atual gestão não passará, necessariamente, por grandes jantares de cúpula na capital, mas sim pelo corpo a corpo nos municípios. Como resultado, ao quebrar as barreiras partidárias na base, o governador tenta pavimentar um palanque unificado de baixo para cima. Portanto, quem pretender desafiar o atual desenho de poder precisará, antes de tudo, reconquistar as bases que hoje se curvam ao pragmatismo das canetadas estaduais.
Edição: Lierge Coradini


