ITAJAÍ 166 ANOS: Por que o Bairro Cordeiros Itajaí se tornou o 2º maior de Santa Catarina?
Entre o desenvolvimento urbano acelerado e a memória heróica de Odílio Garcia, o Bairro Cordeiros Itajaí se consolidou como uma das regiões mais importantes de SC, abrigando atualmente mais de 42 mil moradores.
De fato, o Bairro Cordeiros Itajaí guarda uma parte fundamental da história do crescimento e da economia do município. Entre rios, antigas estradas e o forte desenvolvimento industrial da cidade, a região construiu, ao longo das décadas, uma identidade única. Essa trajetória é marcada pelo trabalho, pela expansão urbana e, acima de tudo, pela força da sua comunidade.

Hoje, com uma população expressiva, Cordeiros é considerado o segundo bairro mais populoso de Santa Catarina e, consequentemente, o coração pulsante do comércio e da indústria de Itajaí.
A História do Bairro Cordeiros Itajaí: Da origem à quebra do isolamento
No que diz respeito à sua origem, o nome da localidade faz referência direta à família de Fermino Vieira Cordeiro. Conforme registros históricos levantados pelo historiador Magru Floriano, Fermino e seus irmãos teriam chegado à região por volta de 1872, logo após participarem da Guerra do Paraguai. Vindos da Bahia, eles adquiriram terras que se estendiam desde a margem esquerda do Rio Itajaí-Mirim até a comunidade de Espinheiros.
Naquele período, contudo, a localidade era praticamente isolada do restante da cidade de Itajaí. Mesmo estando próxima da Barra do Rio — região que já apresentava crescimento urbano desde o século XIX —, o acesso a Cordeiros era muito difícil.
Por isso, foram os próprios irmãos Cordeiro que abriram uma picada na mata ligando a região até Espinheiros. Esse caminho, mais tarde, se transformaria na principal ligação terrestre entre Itajaí e Blumenau.
Felizmente, esse isolamento geográfico começou a diminuir a partir de 1930, especialmente devido à inauguração da Ponte Marcos Konder. A obra facilitou significativamente a integração entre diferentes regiões do município e do estado.
O Bairro Operário e a Expansão Industrial de Itajaí
Posteriormente, a partir das décadas de 1950 e 1960, o Bairro Cordeiros Itajaí viveu uma rápida e profunda transformação urbana. Isso porque a instalação de grandes empresas ligadas aos setores de:
- Indústria madeireira;
- Distribuição de combustíveis e gás;
- Logística e armazenamento de cargas.
Esse ecossistema impulsionou o crescimento econômico local e, por conseguinte, atraiu trabalhadores de diferentes regiões do Brasil.
O Surgimento das Comunidades e Grandes Obras
Como resultado desse fluxo migratório, o bairro passou a receber diversos loteamentos populares e conjuntos habitacionais. Foi assim que surgiram sub-regiões e comunidades populosas que ajudaram a moldar a identidade atual de Cordeiros, tais como:
- Jardim Esperança e Jardim Progresso;
- Jardim Itália e Jardim Santa Rita;
- Murta e Votorantim;
- Núcleo Habitacional General Costa Cavalcanti.
Além disso, grandes obras públicas mudaram definitivamente a geografia local. A título de exemplo, a emblemática retificação do Rio Itajaí-Mirim, iniciada em 1963, passou a funcionar como o divisor natural entre Cordeiros e o bairro São Vicente.
Nas décadas seguintes, em complemento a esse processo, a mobilidade urbana foi ampliada com a construção da Ponte Tancredo Neves (1986) e da Ponte Wilson Kleinübing (2001), fortalecendo o desenvolvimento regional.
Quem foi Odílio Garcia? A coragem que entrou para a história de Itajaí
Dentre todos os acontecimentos marcantes da trajetória de Cordeiros, um dos mais impactantes ocorreu no dia 2 de fevereiro de 1965. Naquela oportunidade, um grave incêndio atingiu o navio Petrobras Norte durante uma operação de descarga de gás liquefeito às margens do bairro. O fogo colocou toda a cidade de Itajaí em estado de alerta máximo diante do risco iminente de uma megajurisdição catastrófica.
Foi justamente nesse episódio de crise que surgiu o nome de Odílio Garcia, marinheiro que se tornaria um verdadeiro símbolo de bravura. Tripulante da embarcação, Odílio participou ativamente das tentativas de conter o fogo e fechar as válvulas, mesmo ciente do risco extremo à própria vida.
Graças a esse ato de coragem, consequências trágicas foram evitadas para a população de Itajaí. Infelizmente, ele faleceu em decorrência das queimaduras, mas passou a ser eternizado como o grande herói itajaiense.
Décadas depois, em homenagem a seu sacrifício, a cidade inaugurou o Parque Náutico Odílio Garcia — um espaço de lazer que preserva a memória de um homem que deu a vida pela segurança de sua comunidade.
Infraestrutura, Fé e a Tradicional Procissão dos Caminhoneiros
Paralelamente ao avanço industrial, o crescimento populacional do Bairro Cordeiros Itajaí foi acompanhado pela implantação de uma sólida rede de serviços básicos. Hoje, portanto, o morador conta com importantes estruturas de saúde e educação, tais como a UPA Cordeiros e diversas unidades básicas de saúde distribuídas estrategicamente.
Outro ponto marcante é que a religiosidade se tornou um pilar fundamental da cultura local. Em 1959, foi construída a capela dedicada a São Cristóvão, o santo protetor dos motoristas.
Desde então, essa devoção deu origem à tradicional Procissão dos Caminhoneiros, hoje uma das manifestações religiosas e turísticas mais conhecidas e prestigiadas de Itajaí. Pouco depois, em 1968, a criação oficial da Paróquia São Cristóvão consolidou de vez os vínculos comunitários da região.
Um Gigante que Segue Crescendo em Santa Catarina
Em suma, o Bairro Cordeiros Itajaí reúne hoje uma força comercial, industrial e de prestação de serviços invejável, sem deixar de lado a qualidade de vida, o lazer e o acesso rápido a diferentes pontos da cidade.
Dessa forma, sendo uma potência socioeconômica construída pelo suor do trabalho e pela memória viva de seus heróis, fica evidente por que Cordeiros se destaca com orgulho como o gigante, próspero e acolhedor segundo maior bairro de Santa Catarina.
Informações históricas baseadas nas pesquisas do renomado historiador Magru Floriano, autor do livro “Nossas Localidades”.



