Carolline Sardá Toma Posse na ALESC e Anuncia Forte Atuação no Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres em SC
“Não aceitarei que Santa Catarina, o único estado no Brasil com nome de mulher, tenha a vida das nossas Catarinas ceifadas.” — Carolline Sardá
Com um pronunciamento contundente e marcado pelo relato de sua própria história, a feminista Carolline Sardá (PSOL) tomou posse como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) nesta quarta-feira (15). Primeira suplente do partido, a parlamentar assume a cadeira do deputado ambientalista Marcos José de Abreu (Marquito), que se licenciou do cargo para focar em sua pré-campanha de reeleição.

O plenário e as galerias da ALESC foram tomados por lideranças políticas, militantes feministas de diversas gerações e representantes de movimentos sociais. Logo após assinar o termo de posse, a nova deputada subiu à tribuna para garantir que dará continuidade às pautas do mandato agroecológico de Marquito, ao mesmo tempo em que trará as demandas das minorias para o centro do debate legislativo.
“O meu mandato será um mandato das mulheres, da juventude, da periferia, das pessoas com deficiência, dos povos originários, da população negra, dos professores, estudantes, de quem faz cultura e de todo mundo que não tem um microfone dentro dessa Assembleia”, assegurou a parlamentar.
Um Relato Pessoal e a Realidade das Delegacias em SC
Em primeiro lugar, o ponto mais marcante do discurso de posse de Carolline Sardá foi a partilha de uma vivência pessoal de violência sofrida em 2016. Na época, após sofrer uma violência sexual, a então jovem encontrou a delegacia de polícia fechada durante a madrugada. Posteriormente, ao conseguir atendimento no dia seguinte, foi revitimizada e questionada pelos agentes de segurança sobre suas roupas e intenções.
Consequentemente, essa dolorosa experiência pessoal tornou-se o motor de sua trajetória pública. Dez anos depois, agora como deputada estadual, Sardá assume o compromisso de lutar pela reestruturação do atendimento às vítimas no estado.
- Déficit de Atendimento: Atualmente, Santa Catarina conta com apenas 32 Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMIs) para cobrir 295 municípios.
- Falta de Acesso: Cerca de 12 cidades catarinenses com mais de 50 mil habitantes ainda não possuem nenhuma delegacia especializada.
- Subnotificação: Em quase 91% dos casos de feminicídio registrados no estado, as vítimas nunca haviam registrado um boletim de ocorrência anterior contra o agressor.
Propostas e Cobranças por Estrutura de Proteção
Além disso, a deputada apresentou dados alarmantes do Observatório de Violência Contra a Mulher. De janeiro a julho de 2026, Santa Catarina já registrou 30 feminicídios — um aumento de 36% em comparação ao mesmo período de 2025.
Por conseguinte, a parlamentar destacou as principais bandeiras que pretende defender na ALESC para mudar essa realidade:
- Delegacias 24 Horas: Implementação real e ampliação do horário de atendimento das DPCAMIs, evitando que mulheres tenham que se deslocar para outras cidades para denunciar.
- Casas-Abrigo e Casa da Mulher Brasileira: Criação de espaços seguros de acolhimento para mulheres e seus filhos que necessitam de proteção imediata.
- Apoio à Patrulha Maria Penha: Fortalecimento do efetivo da Rede Catarina de Proteção à Mulher para garantir o cumprimento das medidas protetivas de urgência.
- Acessibilidade e Equipes Multidisciplinares: Inclusão de psicólogos, intérpretes de Libras e estruturas acessíveis para mulheres com deficiência nas delegacias.
Quem é Carolline Sardá?
Natural de Canoinhas, Carolline Sardá é publicitária, historiadora em formação pela Universidade Mackenzie e criadora de conteúdo voltada aos direitos femininos.
Ao passo que desenvolvia sua carreira na publicidade e no marketing digital, Carolline percebeu a necessidade de democratizar o conhecimento histórico e político. Com isso, passou a traduzir debates complexos de gênero, raça e classe nas redes sociais.
Ademais, ela é fundadora do Clube de Leitura Feminista — uma das maiores comunidades digitais de leitura política do país — e idealizadora do quadro Mulheres na História, projeto que resgata trajetórias femininas apagadas ao longo do tempo.
Assista ao Momento da Posse
A repercussão e os bastidores do evento político foram registrados nas redes sociais da deputada. Para assistir ao vídeo completo do pronunciamento, acesse o registro oficial no Instagram:




